sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O ATENEU- RAUL POMPÉIA

te livro é narrada a história de Sérgio, já adulto, relembrando sua infância, quando aos onze anos foi estudar no internato, Ateneu, o colégio de maior prestígio na época, com seu grande diretor Aristarco, depois de ter estudado em uma pequena escola e recebido estudo em casa, foi sempre coberto de amor.

Durante o primeiro ano fez muitas amizades. Rebelo que lhe apresentou a escola e seus alunos cada qual com seu cárater. Saches, o mais velho, o salvara de um afogamento na piscina, mas depois de uma briga se tornaram de certa forma inimigos. Franco, um menino mal comportado se envolveu em uma confusão com Sérgio, Franco jogou cacos de vidro na piscina, mas por sorte e para alívio de Sérgio nada aconteceu.
Barreto que lhe afirmava que a mulher era um demônio, fato que segundo Sérgio veio a ser comprovado quando dois homens na luta pelo amor de Ângela, camareira da casa de Aristarco, brigaram, um morreu e outro foi preso.

Depois ao interessar-se pela biblioteca e os livros fez mais duas amizades, Júlio Verne e Bento Alves, ambos mais velhos.
Bento e ele tinham uma amizade de irmãos. Bento o protegia e foi por isso que depois de muitas implicâncias entrou em uma briga com Malheiro. Nesses tempos Sérgio recuperou seu rendimento, pois o ano letivo estava para acabar. Iniciou-se na escola uma “moda” entre os alunos, a de colecionar selos, depois dessa vieo a expossição artística e assim ano acabou.

O primeiro ano no Ateneu acabou, durante as férias Sérgio e Bento se encontraram e ao voltarem ao colégio mantiveram sua amizade. Nesse segundo ano passou por momentos divertidos, entre desfiles e pequiniques com chuva, mas sem explicação um dia brigou com Bento rompendo a amizade. Bento saiu da escola, Sérgio teve uma desavença com Aristarco sem resultados.

Viveu ainda o castigo por causa de travessuras, fez então uma nova amizade, Egbert, com esse tinha uma amizade fraternal e grandiosa, mas depois de um jantar na casa do diretor, a amizade de Sérgio ficara no passado. Foi transferido para o dormitório dos rapazes mais velhos onde participou de paseios clandestinos durante a noite.
Assim o segundo ano no Ateneu seguiu, com as férias Sérgio adoeceu, sarampo, ficou sob os cuidados do diretor, já que sua família viajava para a Europa. Por esses dias em que permaneceu doente viu em D. Ema, mulher de Aristarco, uma mãe, nem se lembrando mais da verdadeira, ansiava o encontro a cada manhã com D. Ema.

Em uma manhã, a ruína do Ateneu chegou, todos gritavam por fogo, Sérgio saiu de sua cama e percebeu que estava tudo a arder em chamas. Ao fim, parte da escola estava carbonizada, o culpado do incêndio proposital era Américo um aluno recém chegado que fora deixado ali contra a vontade, o pai pediu a Aristarco que lhe curasse o mau comportamento. Durante o incêndio D. Ema despareceu.
Com o fim do Ateneu, Sérgio encerrou suas memórias.

Senhora Autor do livro: José de Alencar

Aurélia Camargo era uma moça pobre, já tinha perdido o irmão e o pai, sua mãe temendo morrer e abandonar a filha desamparada insistia para que ela fosse ficar na janela pra ver se arrumava um casamento. Realizando tal desejo, conseguiu muitos admiradores e um grande e único amor, Fernando Rodrigues Seixas.

Este tinha apenas a mãe e duas irmãs e levavam uma vida pobre, viviam do aluguel de dois ecravos, da costura e da pequena ajuda que Fenando dava com seu emprego público. Frente ao amor de Aurélia lhe pediu a mão em casamento, mas logo desanimara do feito, pois sabia que casando com ela teria uma vida pobre e perderia sua liberdade deixando assim de frequentar a sociedade.
Assim o romance esfriou até que o noivado foi rompido. Fernando aceitou casar-se com Adelaide, pelo menos receberia um dote de trinta mil contos de réis. Nesses tempos o avô paterno de Aurélia lhe apareceu, mas rapidamente veio a falecer quase ao mesmo tempo em que sua mãe, no entanto seu avô lhe havia deixando sua rica herança, agora ela era uma moça rica. Sua tutela foi entregue a seu tio Lemos, que há muito havia cortado as relações com a mãe de Aurélia. Mas ela prefiriu viver em uma casa com D. Firmina uma amiga viúva que a tinha amparado quando ficara sozinha no mundo.

Fernando viajou para Recife na esperança de escapar do casamento. Com sua ausência Adelaide e Dr. Torcato Ribeiro se reaproximaram. Aurélia lhe havia devolvido cinquenta mil contos de réis que a muito lhe devia e assim o pai de Adelaide lhe consentiu a mão da filha. Quando Fernando voltou já estava livre do casamento, foi então que Lemos lhe prôpos casar-se com uma moça em troca de um dote de cem mil contos de réis, ele acabou por aceitar e recebeu um adiantamento de vinte mil contos de réis, depois veio conhecer que a moça era Aurélia. Alegrou-se pois sempre a amara.

Casaram. No quarto de núpcias quando Fernando se declarava Aurélia friamente entregou-lhe o resto do dote e declarou que ele a pertencia, afinal acabara de comprá-lo. Nessas condições passaram a viver um falso casamento, dormiam em quartos separados e sempre se tratavam intimamente com sarcasmo e ironia. Com o decorrer do tempo Fernado se dedicava ao trabalho de servidor público e Aurélia passou por um longo tempo se isolando de todos. Depois de tal isolamento dediou-se a festas, visitas e pequenas reuniões contínuas.

Ao voltarem de um baile quase houve uma reconciliação, no entanto essa não se fez. Então durante uma valsa em um baile próprio, Aurélia desmaiou e acabram ambos sozinhos no quarto dela. Nesse momento quase houve novamente uma reconciliação, mas Fernando sem querer disse palavras que ofenderam a sua esposa. Voltaram para o baile, ainda vivendo em farsas.
Quando o baile acabou cada um foi para seu quarto, Aurélia baseando-se nos recentes acontecimentos concluiu que Fernando realmente a amava, quase foi ao encontro dele, mas precisava ter certeza e abandonou assim a idéia.

Nos dias seguidos Fernando recebeu o diheiro que havia ganhado através de um investimento, pediu para conversar com Aurélia. Após o jantar foram para o quarto dela, ele entregou a ela um cheque com o valor que ela havia pagado pelo dote e mais os outros vinte mil contos de réis, conquistados no trabalho na repartição e pelo lucro do investimento. Declarou-se livre, pois havia lhe devolvido o dinheiro com o qual ela o havia comprado.

Considerando-se dois estranhos despediram-se. Nesse momento Aurélia confessou todo o amor que tinha por Fernando, afirmou que sendo eles agora estranhos o passado havia sido esqueçido e assim podiam viver o amor que sentiam. Fernando ao ouvir tal confisão beijou sua esposa e assim reconcilhiaram-se. Ele de repente hesitou, o dinheiro de Aurélia lhes empedia de amarem-se, ela então pegou em uma gaveta um documento, era seu testamento onde deixava tudo para Fernando, nessas circunstâncias uniram-se no “amor conjugal”.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Vidas secas Autor do livro: Graciliano Ramos

Com a chegada da seca no sertão, Fabiano e sua esposa Sinhá Vitória, os dois filhos, o papagaio e a cachorra Baleia foram forçados a mudar. Caminharam por uma longa jornada na terrível seca. Antes que morressem de fome comeram o papagaio, seguindo a viagem o menino mais velho desmaiou, seguiram carregando o pequeno, foi assim que encontraram uma fazenda abandonada onde se instalaram.

A seca acabou e Fabiano se acertou com o dono da fazenda. Era o vaqueiro daquela terra, logo houve uma ressurreição em todos e tudo. Os meninos, a cadela, Sinhá Vitória e o próprio Fabiano engordaram, na fazenda criaram porcos e bois.
Em um dia Fabiano foi até a cidade comprar o que faltava em casa, antes de ir embora resolveu tomar um copo de cachaça, se sentia por todos enganado acreditando que sempre lhe cobravam mais do que era certo, assim como o patrão que sempre lhe pagava menos com a história dos juros. Foi ai que um soldado amarelo apareceu e o chamou para um jogo de cartas, como o homem era autoridade aceitou, mas logo após a primeira rodada foi embora. O soldado lhe seguiu o pertubando até que Fabiano enraivecido xingou a mãe dele. Com isso foi para cadeia. A ignorância que a pobreza lhe causara não permitiu que ele se explicasse e assim ganhou uma surra e uma noite na prisão.

Mesmo assim a vida melhorara, Sinhá Vitória acreditava que para a felecidade ser praticamente completa bastava uma cama de verdade diferente daquela que possuíam, feita de varas que os imcomodavam durante o sono. Os meninos apenas se divertiam no barreiro junto com a cachorra Baleia. O mais novo em uma tentativa de imitar o pai tentou muntar um bode o que só lhe deu uma queda e humilhação por parte do irmão e de Baleia. E o menino mais novo buscando o significado de inferno apenas ficou chateado com a má vontade que lhe explicaram.

O inverno chegou e a família se acalentava frente à fogueira onde travavam pequenas conversas primárias. O natal também chegou e com isto toda a família vestida de roupas novas que só lhes incomodavam foi à missa, tanta gente os assustava e com a lembrança nunca esqueçida da injustiça aprontada pelo soldado amarelo, Fabiano bebeu e saiu a desafiar os homens. Acabou deitado na calçada tirando um cochilo, enquanto Sinhá Vitória fumava e os filhos brigavam com Baleia por ter desaparecido.

Depois desses tempos Baleia adoeceu. Feridas apareceram, o pêlo caiu e ela emagreçeu. Fabiano decidiu matá-la de forma rápida que lhe poupasse o sofrimento. Sinhá Vitória se trancou com os filhos e tampou-lhes os ouvidos. Fabiano com um tiro feriu o traseiro da cachorrinha que assustada se arrastou até os juazeiros onde sem compreender morreu.
Certo dia caminhando pela catinga Fabiano se encontrou com o soldado amarelo que nunca esquecera. Precipitou-se erguendo o facão, mas parou antes de ferir o homem. Viu como ele era um frouxo já que nem se agüentava de tanto tremer. Ficaram frente a frente até que o soldado viu que Fabiano recuara, perguntou-lhe o caminho, Fabiano respondeu tirando o chapéu.

As trapaças do patrão o pertubavam e as contas de Sinhá Vitória sempre mostravam que eles estavam sendo enganados, mas quando foi reclamar o patrão se encheu de fúria e disse que ele podia ir embora, Fabiano perdeu o emprego. Fabiano desculpou-se e foi embora. Nesse contexto a seca voltava.
O bebedouro secava, o rio também, vinham ainda dezenas de pássaros que bebiam o pouco de água que restava aos bichos que emagreciam. Fabiano matava-os, mas eram muitos. Os que ele matava salgavam e guardavam. A seca chegou. Fabiano sabia que era hora de partir, de fugir, mas adiava. Foi então que matou o único bezerro que lhes pertenciam e salgaram junto a carne dos pássaros, trancaram a fazenda e partiram. Sem avisar.

Fabiano se atormentava com as lembranças: o soldado amarelo, a cachorra Baleia, o cavalo que ficou pra morrer já que pertencia ao patrão e ele não podia levá-lo. Mas depois começaram a conversar e as léguas passaram sem nem verem, almoçaram e as esperanças de encontrar uma terra nova onde os filhos teriam futuros diferentes e eles um presente mais digno onde não precisariam fugir da seca, os levou embora.

Sonhos D’ouro Autor do livro: José de Alencar

Ricardo era um rapaz pobre e que saíra de São Paulo onde morava sua mãe, irmã e sua noiva Bela para ir à Corte tentar conquistar o suficiente para dar uma vida digna a estas. E foi no Rio de Janeiro, mais precisamente, na Tijuca, que teve seu primeiro encontro com Guida. Ele estava deitado na relva sonhando com as facilidades que a riqueza traria e beijava uma pequena flor que colhera e apelidara de sonhos d’ouro. Nessas circunstâncias que Guida o encontrou, enquanto fazia um passeio com sua dama de companhia e o Sr. Benicio, que tinha uma alma servil e trabalhava para ela.

Depois deste primeiro encontro, Ricardo veio saber a partir de seu amigo Fábio, e noivo de sua irmã Luísa, que a moça era filha do “comendador” Soares e era uma das mais ricas e belas moças da corte. Ricardo inicialmente sabendo das travessuras da menina a julgou caprichosa. No decorrer dos dias sempre em passeios no galgo, o cavalo que dividia em um revezamento com Fábio, encontrava-se casualmente com Guida.

Ricardo morava com Fábio e D. Joaquina, mãe de seu amigo. Era costume dela, mesmo pobre, ajudar uma família que de vez em vez precisava de socorro. Foi graças a essas boas ações que um dia Ricardo, ganhando um dinheiro extra, resolveu ajudar a família, desencarregando D. Joaquina. Lá ele estava com seu caderno onde pintava e na página aberta estava uma aquarela em referência ao seu primeiro encontro com Guida. Nesse dia Guida também veio visitar essa família e inocentemente viu de relance o desenho de Ricardo.

Guida era de fato linda e rica, era também caprichosa, mas era uma alma muito boa, gentil e brincalhona. Prova de sua natureza caprichosa foi o desejo insistente que lhe nasceu de descobrir porque Ricardo beijava tão ardentemente aquela flor do seu primeiro encontro, queria ver o desenho que ele fizera e queria possuir o cavalo do rapaz, o galgo.

Estando em um grupo em um passeio na Tijuca, Guida viu a pequena flor e se precipitou para colhê-la, porém era uma ação perigosa, e Ricardo que observava toda a cena, acabando de chegar àquele ponto, se adiantou e colheu as flores. Nogueira, um dos rapazes do grupo, cumprimentou a ele, pois tinham se formado juntos.

Mais tarde, durante o almoço na casa de Soares, Guida convenceu Nogueira de convidar Ricardo e também o amigo do rapaz para irem jantar ali naquele dia. Ricardo já tinha negado o convite feito através de um dos trabalhadores da casa, não querendo se envolver com uma sociedade a qual não pertencia. Nogueira foi então atrás do colega, porém encontrou apenas Flávio e esse garantiu que ele e o amigo estariam lá.

Ricardo só foi porque Flávio disse que havia dado sua palavra de honra. Assim passaram a noite muito bem, melhor Flávio que não tinha acanhamento em se “infiltrar” em meio a aquelas pessoas. No dia seguinte, lá estavam reunidos novamente para um passeio, Ricardo dessa vez foi temendo que negando o convite Flávio aceitasse e agisse de forma pior como vinha agindo, sem pudor algum.

No passeio Ricardo concedeu que Guida fosse no galgo, durante todo o dia Ricardo a esteve observando, pois o cavalo era muito afoito e um acidente era fácil, observava também a Flavio que não parava de flertar com D. Guilhermina, foi em um momento desses que Guida partiu em uma corrida no galgo, Ricardo instantaneamente tentou alcançá-la. Acabando ela voltando em seu cavalo e ele no dele, e ela falando em como ele suporá mal se tivesse acreditado que ela esperava que ele a socorresse como heróis em romances.

Ricardo já fadigado articulou um modo de escapar do resto do passeio. Porém, na sua tentativa de fuga, acabou seguindo apenas ele, Guida e o S. Benicio que insistia em cobrir-lhes com o guarda-sol. No fim todos chegaram à casa de Soares e todos notaram como Ricardo e Guida chegaram conversando e rindo, durante a noite todos já supunham que ele se juntava aos outros três concorrentes a marido e que ele era o escolhido.

Assim, o visconde que participa da intimidade da casa, já se precipitou ao escritório de Ricardo para lhe propor uma negociação no casamento. Ele lhe ajudaria financiando o namoro e depois já casado Ricardo lhe prestaria favores. Mas a reação dele foi por o visconde pelas golas fora do seu escritório. Mais tarde Flávio contou tal fato a Guida e esta pediu ao pai que retirasse o visconde de seu círculo de amizade.

Passou-se um bom tempo, e Guida completou seus dezenove anos, também nesse tempo Ricardo tinha avançado em seu escritório e já trabalhava com casos que lhe rendiam mais e tinha alugado um quarto. Guida, assim como combinara com o pai, deveria escolher um noivo e apresentá-lo ao pai e este, por sua vez, iria ver se concedia ou não o casamento, caso não teriam um ano para ver qual dos dois se enganava sobre o candidato, Guida ou ele.

Foi assim que em uma manhã, Soares conversou com sua filha, falou-lhe que era preciso que escolhesse um noivo, pois ele estava envelhecendo e não podia deixá-la solteira, uma vez que agora já muitos se aproximavam pelo dinheiro que eles possuíam, quando ela estivesse sozinha maior seria o número de especuladores. Assim Guida prometeu em um mês achar o rapaz.

Sendo assim ela foi ter com sua avó e pediu que ela a ajudasse no encontro com o rapaz correto para ser seu noivo. Foi desse modo que Sr. Benecio chegou com um bilhete para Ricardo em que ele era chamado a casa da vó de Guida para resolver uma questão de advocacia. Chegando lá, Guida o recebeu afirmando que a vó estava a procura dos papéis. Assim, em conversa na sala enquanto a dama de companhia de Guida lia, a menina falou a Ricardo sobre um romance que lia, mas na verdade contava sua própria historia. Afirmava que a heroína devia se casar agora que já tinha chegado na idade combinada com o pai, mas nunca homem algum tinha despertado seu coração e assim ele escolheu a um que julgava reto e gentil e pediu que ele se cassasse com ela e que assim vivessem em conveniência e quem sabe o amor surgiria.

Em seguida perguntou o que faria Ricardo se fosse tal homem, ao que ele respondeu que não poderia ser tal, pois ele já era comprometido e assim contou sua historia de vida e de como estava na corte a fim de juntar vinte contos para quitar as dividas da hipoteca e poder casar-se e dar uma vida ao menos digna para esposa e para mãe, e para poder pagar o dote da irmã. Depois disto Guida chamou a vó e elas encenaram o motivo de limites de terra pelo qual chamaram Ricardo ali.

Foi em casa e no seu quarto que Guida viu surgir-lhe de repente o amor, amava Ricardo, mas não podia tê-lo, pois tal era desde a infância comprometido com a prima. Assim, a menina passou a viver como aqueles que sofrem do amor.

Dias depois o pai, notando a diferença na filha, veio falar-lhe. A menina revelou tudo e também a vontade de conceder os vinte contos para fazer a felicidade dele. O pai cedeu à vontade da filha e também esqueceu a necessidade de casá-la. Assim Guida pediu a D. Guilhermina que se aproveitando do flerte que mantinha com Flávio descobrisse um modo de quitar as dívidas de Ricardo sem que esse recusasse tal ato.

Foi deste modo que Guida, ouvindo a conversa de Flávio e D. Guilhermina, descobriu que Bela havia rompido com Ricardo, que estava desolado. O fato era que em São Paulo, Luisa recebeu uma carta em que Flávio lhe contava como Ricardo não via o amor da mais rica e bela moça da corte por ser a todo voltado ao se amor por Bela, esta que lera a carta também. Porém na casa de Bela um amigo contava que em uma carta que recebera falavam que na corte Ricardo era um dos candidatos mais promissores a um rico casamento. Assim Bela, vendo que tal casamento era melhor para Ricardo, rompeu tudo com ele e aceitou se casar com um primo de escolha do pai.

Ricardo tendo recebido a carta de Bela procurou Guida, os dois conversaram e quando ela leu a carta viu o que realmente se passava com a rival, abandonava seu amor pela maior sorte dele. Aconselhou que Ricardo fosse a São Paulo e lhe explicasse todos os fatos, porém ele só escreveu uma carta, que fora bem fria e assim confirmou as suspeitas de Bela, que se casou com outro.

Saído a noticia do casamento de Bela, Ricardo ficou desolado e por muito tempo ele e Guida não se viram. Um dia enfim se encontraram no local de seu primeiro encontro. Guida, porém, estava com a saúde arrasada e perdera toda a vida de pouco tempo atrás. Ali os dois conversando relembraram o primeiro encontro e foram colher a florzinha que ilustrara a cena, Guida desfaleceu nos braços de Ricardo e se pôs a chorar, ele temia a morte da menina e quando ela finalmente olhou para ele, pediu que vivesse, quando ela questionou porque razão viveria, ele afirmou que vivesse por ele.

Foi assim que o casamento dos dois se arranjava para alguns dias. Mrs. Trowshy, a dama de companhia de Guida, se animava com a ida para Europa junto com a sua senhora. Sr. Benicio trabalhava no casamento, Flávio casara-se, Nogueira conformara-se com a advocacia administrativa, Guimarães foi para Europa gastar a herança, Bastos continuava um bom encomendador – eram todos esses candidatos a marido de Guida.

Senhora Autor do livro: José de Alencar

Aurélia Camargo era uma moça pobre, já tinha perdido o irmão e o pai, sua mãe temendo morrer e abandonar a filha desamparada insistia para que ela fosse ficar na janela pra ver se arrumava um casamento. Realizando tal desejo, conseguiu muitos admiradores e um grande e único amor, Fernando Rodrigues Seixas.

Este tinha apenas a mãe e duas irmãs e levavam uma vida pobre, viviam do aluguel de dois ecravos, da costura e da pequena ajuda que Fenando dava com seu emprego público. Frente ao amor de Aurélia lhe pediu a mão em casamento, mas logo desanimara do feito, pois sabia que casando com ela teria uma vida pobre e perderia sua liberdade deixando assim de frequentar a sociedade.
Assim o romance esfriou até que o noivado foi rompido. Fernando aceitou casar-se com Adelaide, pelo menos receberia um dote de trinta mil contos de réis. Nesses tempos o avô paterno de Aurélia lhe apareceu, mas rapidamente veio a falecer quase ao mesmo tempo em que sua mãe, no entanto seu avô lhe havia deixando sua rica herança, agora ela era uma moça rica. Sua tutela foi entregue a seu tio Lemos, que há muito havia cortado as relações com a mãe de Aurélia. Mas ela prefiriu viver em uma casa com D. Firmina uma amiga viúva que a tinha amparado quando ficara sozinha no mundo.

Fernando viajou para Recife na esperança de escapar do casamento. Com sua ausência Adelaide e Dr. Torcato Ribeiro se reaproximaram. Aurélia lhe havia devolvido cinquenta mil contos de réis que a muito lhe devia e assim o pai de Adelaide lhe consentiu a mão da filha. Quando Fernando voltou já estava livre do casamento, foi então que Lemos lhe prôpos casar-se com uma moça em troca de um dote de cem mil contos de réis, ele acabou por aceitar e recebeu um adiantamento de vinte mil contos de réis, depois veio conhecer que a moça era Aurélia. Alegrou-se pois sempre a amara.

Casaram. No quarto de núpcias quando Fernando se declarava Aurélia friamente entregou-lhe o resto do dote e declarou que ele a pertencia, afinal acabara de comprá-lo. Nessas condições passaram a viver um falso casamento, dormiam em quartos separados e sempre se tratavam intimamente com sarcasmo e ironia. Com o decorrer do tempo Fernado se dedicava ao trabalho de servidor público e Aurélia passou por um longo tempo se isolando de todos. Depois de tal isolamento dediou-se a festas, visitas e pequenas reuniões contínuas.

Ao voltarem de um baile quase houve uma reconciliação, no entanto essa não se fez. Então durante uma valsa em um baile próprio, Aurélia desmaiou e acabram ambos sozinhos no quarto dela. Nesse momento quase houve novamente uma reconciliação, mas Fernando sem querer disse palavras que ofenderam a sua esposa. Voltaram para o baile, ainda vivendo em farsas.
Quando o baile acabou cada um foi para seu quarto, Aurélia baseando-se nos recentes acontecimentos concluiu que Fernando realmente a amava, quase foi ao encontro dele, mas precisava ter certeza e abandonou assim a idéia.

Nos dias seguidos Fernando recebeu o diheiro que havia ganhado através de um investimento, pediu para conversar com Aurélia. Após o jantar foram para o quarto dela, ele entregou a ela um cheque com o valor que ela havia pagado pelo dote e mais os outros vinte mil contos de réis, conquistados no trabalho na repartição e pelo lucro do investimento. Declarou-se livre, pois havia lhe devolvido o dinheiro com o qual ela o havia comprado.

Considerando-se dois estranhos despediram-se. Nesse momento Aurélia confessou todo o amor que tinha por Fernando, afirmou que sendo eles agora estranhos o passado havia sido esqueçido e assim podiam viver o amor que sentiam. Fernando ao ouvir tal confisão beijou sua esposa e assim reconcilhiaram-se. Ele de repente hesitou, o dinheiro de Aurélia lhes empedia de amarem-se, ela então pegou em uma gaveta um documento, era seu testamento onde deixava tudo para Fernando, nessas circunstâncias uniram-se no “amor conjugal”.

Quincas Borba Autor do livro: Machado de Assis

Rubião pretendia ver sua irmã, Maria da Piedade, casada com Quincas Borba. No entanto isso não aconteceu e o laço que os uniu foi o da amizade. Quincas possuía alguns parentes, o último deles foi um tio que lhe deixou uma grande herança. Mas ele tinha uma doença que logo o levaria. Rubião tornou-se seu melhor amigo e foi viver com ele, o médio fingia-lhe uma melhora apenas para não lhe provocar grande dor com a morte próxima. Rubião teve ao longo desse tempo que dividir seu amigo com o cachorro de tal, também chamado Quincas Borba.

Quincas resolveu ir à corte, ignorando seu estado físico, Rubião ficou encarregado de cuidar do cão. Antes de voltar Quincas Borba morreu, Rubião entristeceu-se com a notícia, mas não parava de pensar no quanto receberia de herança. Com a morte do amigo presenteou uma senhora com o cachorro, mas quando o testamento foi lido Quincas Borba havia lhe feito herdeiro universal com a condição de adotar o cachorro pra si.
Rubião conseguiu o cachorro de volta. E sendo rico mudou-se pra corte, e foi na viagem de trem que conheceu Cristiano de Almeida e Palha e sua mulher, a belíssima Sofia. Logo se tornaram grandes amigos. Rubião logo de ínicio ficou encantado com os olhos de Sofia, encantamento que só aumentou ao longo dos dias, até se tornar uma grande paixão.

As trocas de olhares e supostas atenções dirigidas por Sofia à Rubião o tornava mais apaixonado e o fazia crer que era correspondido. Durante um almoço com dois amigos, Freitas um homem muito agradável, humilde e admirável e Carlos Maria, jovem, orgulhoso e esnobe, recebeu uma cestinha com morangos e um bilhete escrito por Sofia lhe convidando para um jantar. Tal mimo o animou mais ainda quanto à paixão que sentia. No horário marcado foi para Santa Teresa, localidade da casa de Palha. Haviam ali outros convidados apenas uma das senhoras era solteira, na verdade uma solteirona. D. Tonica, que obviamente encheu-se de interesse por Rubião, mas a troca de olhares entre ele e Sofia, que muitas vezes fixavam, lhe despertou a desesperança e a raiva, afinal Sofia que já era casada possuía outros homens em vez de lhe deixar.

Sofia convidou ambos para um passeio ao luar no jardim, mas apenas Rubião aceitou. E foi ali no jardim que se declarou para Sofia, a pobre não teve reação, até que foram interferidos pelo major Siqueira. Sofia conseguiu se recompor e iludir o homem acerca do que acontecera, no entanto Rubião se perdeu em embaraço. Assim a noite seguiu ao fim. A sós Sofia e Palha conversavam sobre o jantar e Palha ouviu os fatos do jardim, Sofia desejava um corte violento na amizade, mas Palha preferiu ignorar tal acontecimento. Afinal, os homens se maravilharem com Sofia não era novidade, era vaidade de Palha mostrar a bela mulher que tinha, por isso dava-lhe vestidos decotados que lhe deixavam o colo e os braços nus.

A verdade era que Palha tinha negócios com Rubião, não só lhe devia dinheiro como também eram sócios em um comércio de importações. Chegou da “roça” uma prima de Sofia, Maria Benedita e sua mãe. Sofia insistia que era necessário que a prima aprendesse francês e a tocar piano, mas as saudades que sentiam do campo sempre lhes levavam embora. Porém desda vez Maria Benedita ficou e sempre que as saudades da mãe e do campo lhe viam ela e Sofia iam para lá.
Em certo baile por quinze minutos Sofia e Carlos Maria valsaram e foi durante essa dança que ele se declarou. Essa declaração não foi revelada a Palha. E ainda despertou em Rubião uma grande onda de cíume e em Maria Benedia um desejo de voltar para o campo. Por esses tempos Sofia, a prima e mais algumas senhoras haviam formado a comisão de Alagoas, tal grupo fez D. Fernanda e Maria Benedita criarem laços de amizades. D. Fernanda era prima de Carlos Maria e pretendia casar-lhe com uma amiga do sul, mas sua amizade com Maria Benedita lhe mudou de idéia e assim o casamento entre os dois foi marcado.

O ciúme de Rubião diminuiu suas idas à casa de Palha. Em uma tarde chegou um negro em sua casa e lhe entregou uma carta de Sofia, leu-a, quando o negro saía caiu uma carta que Rubião só veio ver depois que o moleque já tinha ido embora, a carta era de Sofia para Carlos Maria. Rubião ficou extremamente enciumado e foi nessas condições que alguns dias depois foi ter com Sofia, lhe entregou a carta acusando-a e saiu antes da senhora ter a chance de se explicar. A carta ainda fechada não passava de uma declaração.
Chegou então o aniversário de Sofia, Palha lhe ofereceu um baile, em certo momento Sofia ficou a sós com Rubião e esclareceu o conteúdo da carta, entre as lágrimas pela falsa acusação lhe disse que ele estava tremendamente enganado, noticiou a ele o casamento de Carlos Maria com Maria Benedita. Rubião foi tomado por uma felicidade tremenda e parabenizou a noiva com muito prazer. Os noivos casaram e foram para a Europa.

Por esses tempos Palha havia findado os seus negócios com Rubião. Por esses tempos também Rubião havia ganhado fama na corte e era cercado por muitos amigos que praticamente viviam em sua casa como discípulos de sua filosofia. E nesse momento iniciou-se a loucura de Rubião.
O primeiro ato de loucura foi quando chamou um barbeiro para que lhe cortasse a barba como a de Napoleão III, depois buscou por Sofia e se declarou a ela como Napoleão fez à sua amante. Com o tempo as crises de loucura aumentavam, e o dinheiro ia se findando. Palha e Sofia estreitaram suas relações com ele. Nas visitas que faziam sempre se asustavam com as crises que às vezes aconteciam.

D. Fernanda dizia ver nos olhos dele a recuperação, se fosse tratado. Assim Palha lhe comprou uma casa menor onde iniciou um tratamento, os “discípulos” só assim findaram suas visitas. A esse ponto voltou da Europa Maria Benetida que veio ter sua filha na corte.
Rubião foi internado em uma clínica para ser tradado, já se tornara chacota na rua. Palha e Sofia contribuiam com tais atos, financeiramente Rubião havia perdido muito. O médico ao longo do tratamento disse que rápido o homem estaria curado, mas antes disso ele desapareceu. Palha havia lhe dado cem mil contos de réis para se ver livre do homem. Rubião e o cão Quincas Borba voltaram pra Minas, não houve cura. Lá reconheceu toda sua antiga vida, mas sem ter onde ficar dormiu na porta da igreja debaixo de uma tempestade.
Ao amanhecer uma comadre o reconheceu e o acolheu. No entanto ele teve nova crise e toda a cidade veio testemunhar a loucura do homem. Louco e vítima de uma febre, faleceu. Quincas Borba morreu três dias depois.

O triste fim de Policarpo Quaresma Autor do livro: Lima Barreto

Major Policarpo Quaresma era como era conhecido. Vivia no Rio de Janeiro e sua irmã morava junto com ele. Tratava-se de um homem extremamente patriota, fiel e adorador de do Brasil. Na vizinhança achavam graça dele, de como pontualmente chegava em casa sempre à mesma hora e como ficava horas em meio a livros estudando sem ser formado em faculdade alguma.

A última história que comentavam era a visita que ele recebia de Ricardo Coração dos Outros. Tratava-se de um músico, apaixonado pelo violão e que vinha ensinar a Quaresma a arte de tocar tal instrumento.

Tinha dentre as relações de sua casa o General, seu vizinho. Este tinha uma filha noiva que esperava ansiosamente pelo seu casamento, bastando apenas que o noivo concluísse sua faculdade de Odontologia. Tinha ainda um rico italiano e sua filha, de quem era padrinho.

Quaresma, nacionalista como era, estudando os nativos do país, acreditou que o mais certo fosse que todos na pátria falassem tupi. Assim aprendeu a língua e levou às autoridades o seu ideal! Como era de se esperar, tornou-se motivo de riso e escárnio. Mas o máximo de tudo foi quando irritado, sem sequer notar, escreveu um dos documentos públicos todo na língua dos nativos.

Depois disso restou a Quaresma ser levado ao hospício! Lá ficou por um bom período, e recebia visitas de sua afilhada e seu pai e de Coração dos Outros; sua irmã não ia muito bem para lhe fazer visitas.

Ao final de sua “estadia” no hospício, tomou um conselho que lhe foi dado. Comprou um pedaço de terra e foi viver de agricultura no interior. Seu forte sentimento nacionalista o enchia de esperanças, como a terra fértil do Brasil lhe seria bastante para viver e como uma reforma na agricultura do país poderia ocorrer...

Os projetos eram muitos, mas Quaresma teve que ver a verdade. Lucros pequenos, as demais terras todas mal tratadas e as malditas formigas.

Neste tempo, sua afilhada se casara com um egocêntrico médico e a filha do coronel, seu vizinho, sofria com o noivo, que fora para o interior e nunca mais mandara notícias.
Foi então que uma rebelião nasceu. Quaresma prontamente se ofereceu a serviço da pátria e foi feito de fato major. Coração dos Outros também teve que lutar a serviço do país, no entanto fora quase que obrigado.

Por um longo tempo Quaresma ficou sem ver sua irmã, esta ficara nas terras dele no interior que, sem sua supervisão e amor, já se tornava como as demais terras abandonadas – o ajudante que tinha não sabia levar o trabalho de forma que rendesse.

Ao decorrer da rebelião, a filha do coronel, sempre presa na idéia do casamento e de ter sido abandonada, abalou-se profundamente e o desespero levou-a à loucura e posteriormente à morte. Nesse tempo Quaresma pôde ver como se iludira com o Brasil e acima de tudo com os seus governantes.

Seu último ato, já findada a rebelião, foi escrever uma carta às autoridades do país, onde declarou tudo o que pensava a respeito do Brasil, suas vantagens, suas chances de glória e seu governo que o afundava. A conseqüência foi ser levado preso, sem chances de defesa. Ricardo Coração dos Outros procurou ajuda, mas todos só afirmavam que o louco do Quaresma não tinha chances, e ainda a afilhada tentou salvá-lo. Por fim, concluíram que era mais digno ao Major Policarpo Quaresma aquele fim.

O sertanejo Autor do livro: José de Alencar

No sertão do nordeste a comitiva do capitão-mor, o maior homem do Ceará, voltava à sua fazenda, junto a sua mulher, Genoveva, e sua filha, Flor. Já bem próximo a terra natal Flor tomou o caminho deixando os outros para trás, enquanto cavalgava o cavalo parou repentinamente temendo algo e nos momentos seguintes a jovem se viu cercada por grandes chamas de fogo, logo ela desmaiou.

Arnaldo era um sertanejo. Vivia na fazenda, mas não se submetia às ordens do capitão, porém dava a vida por ele e sua família. Assim que a família saiu nessa comitiva de viagem até Recife ele também saiu seguindo-os à distância, funcionando como um guardião do qual nem mesmo eles sabiam. Foi assim que seguiu Flor quando ela se afastou e a salvou. Pegou a moça desmaiada, levou-a para casa e logo depois foi embora; ficando sem explicação a salvação da donzela.

A mãe de Flor vendo o fogo logo temeu pela vida da filha e depois de grande aflição encontrou-a em casa. O povo da fazenda mais os empregados que vinham na comitiva cuidaram de apagar o fogo, nessa hora Arnaldo já seguia os rastros na mata que denunciavam quem havia deitado fogo no mato, naquela seca terrível. Os rastros tinham sido apagados, mas o pouco que sobrara denunciou Morão. No entanto a culpa caíra sobre Jô, um velho amigo que vivia em uma gruta nas proximidades de onde o fogo começou.

Sabendo disso Arnaldo levou Jó para outro local e foi atrás de Moirão. Teve com ele na manhã do dia seguinte, os dois eram amigos, mas a vida da família do capitão-mor e a vida de Flor, a quem ele amava ainda mais, eram prioridades. Assim em um combate entre as árvores Arnaldo venceu Moirão, que nunca tinha passado por tal coisa, e declarou que se ele novamente fizesse algo para ameaçar tal família, teria novamente com ele.
Moirão tentou justificar-se, afinal foi humilhado pelo capitão, pois quando trabalhou na fazenda vizinha, Marcos Fragoso, filho do dono, o impediu de morrer e assim devendo-lhe a vida, a mando de Marcos entregou um presente a Flor, pois Marcos era apaixonado pela moça, mas a menina gritou pelo pai que lhe puxou pela orelha e o humilhou. Arnaldo, no entanto, não aceitou a justificativa e disse que em nova tentativa de vingança mataria-o.
Os homens do capitão saíram à procura do causador do incêndio, vieram então perguntar a Arnaldo sobre Jó, mas ele disse que tal coisa só diria ao capitão. Assim, quando ele voltou à casa da fazenda o patrão lhe perguntou quem causara o fogo, mas ele não respondeu, sendo assim desobedeu ao capitão. E isso era inadmissível, mas com interseção de Flor o capitão disse que concedia o perdão se ele o pedisse, Arnaldo negou e por muitos dias esteve metido no mato sem que ninguém desse notícia.
O novilho de Flor também havia sumido e foi assim que Arnaldo voltou à fazenda trazendo o novilho de volta. Assim que chegou o capitão-mor fez-lhe vaqueiro da fazenda, cargo vago desde a morte do pai de Arnaldo, o melhor vaqueiro daqueles tempos superado apenas pelo o próprio filho.

Nesses tempos Marcos Fragoso dono da fazenda vizinha veio para habitá-la, o seu objetivo era casar com Flor. Jó ficara a vigiar a casa dele e assim Arnaldo estava a par de tudo que lá se passava. Conversando, capitão-mor e Genoveva resolveram que Marcos Fragoso, que passara ali quando chegaram às terras, seria um bom noivo para Flor.
Marcos fez então um convite de almoço e apenas para evitar a perda do pretendente o capitão aceitou o convite, na comitiva iam homens do capitão dentre eles Arnaldo, e mais Flor, Genoveva e Alina, uma orfão criada por eles. Ao se encontrarem antes de chegarem ao local onde a tenda estava armada veio à tona a história do boi Dourado.

Dourado era o mais belo, valioso e veloz boi daquelas terras e homem nenhum o havia capturado. Bastou falar que ele que apareceu e assim os homens se animaram em uma perseguição ao boi. Fragoso disse que não só o laçaria como faria do couro do boi sandálias para a moça mais bela. Arnaldo não foi pra caçada, apenas observava. Flor, Genoveva e o padre Teles que por regras da sociedade não podiam se divertir na caçada foram caçar pequenos novilhos que estavam soltos ali. Flor, para maior diversão, tirou seu chale vermelho e começou a sacudi-lo.
Um boi que estava próximo veio correndo pra cima dela e assim Arnaldo a salvou, depois de tal alto se lançou na caça ao Dourado o que só irritou Fragoso que logo de início viu nele um inimigo. Por fim Arnaldo se afastou muito na caça ao boi. Conseguiu pegá-lo, mas sabia que um boi como aquele não podia ficar cativo, apenas o marcou com o símbolo de Flor.

Todos já tinham terminado o almoço quando Arnaldo chegou. O que se passava era que Fragoso ia pedir a mão de Flor durante o caminho de volta e caso recebesse uma resposta negativa seus homens já estavam prontos em uma emboscada para roubá-la. Mas como Jó vigiava a fazenda de Fragoso eles sabiam do plano e depois de libertar Dourado Arnaldo se juntou a Jó que tinha colocado ervas nas bebidas dos que preparavam a emboscada adormecendo-os e assim juntos prenderam a todos.
Quando chegou à tenda narrou o que fizera com Dourado e o capitão fez das palavras de Arnaldo palavras suas. Então partiram, Fragoso e o capitão ficaram para trás e foi aí que ele pediu a mão de Flor em casamento, no entanto o seu pedido foi de forma que seria uma honra a eles que Flor se cassasse com ele, isso desagradou o capitão que era o homem mais poderoso daquele sertão, assim a proposta foi recusada. Fragoso então deu o sinal, para que a moça fosse rapitada.

Porém, Arnaldo viu tudo e quem respondeu o sinal foi ele e assim Fragoso e seus homens foram embora acreditando que Flor estava em seu poder. No entanto a moça chegou sã e salva em sua casa. Fragoso irritado com aquilo criou um novo plano.
Rosinha, uma de suas empregadas, e José foram à casa do capitão, ao chegarem lá falaram que ela era uma viúva e que seu marido tinha sido assassinado por glorificar o capitão, um homem que o odiava matou-lhe.
O plano era que o capitão para não ser desonrado por tal homem inventado, saísse à procura dele, mas ele não foi, mandou grande parte de seus homens. Nesses tempos Fragoso voltava com uma armada pronta para tomar a moça. Em uma manhã Rosinha, por quem Flor adquiriu grande afeição só nesse tempo que ficara ali, convidou-a para um passeio, José avisou aos outros homens que estavam na floresta que era a hora de agir. Mas Arnaldo que sempre seguia vigiando Flor conseguiu salvá-la.

Mas a esse momento chegava Fragoso à fazenda com quatrocentos homens, prontos a tomar a moça já que novamente não tinha conseguido. No entanto capitão-mor tinha consigo apenas cinquenta homens, pois o resto estava à procura do tal que Rosinha inventara. Porém, Arnaldo e Jó sabiam do perigo que estava perto, então Jó foi à procura da tribo Jucás, o chefe era um amigo de Arnaldo que lhe devia a vida e a liberdade. E Arnaldo avisara aos homens do capitão que voltassem no menor prazo possível, pois a família corria perigo. Fragoso tentou ainda por duas vezes ter a mão da moça de forma pacífica, mas não obteve, em resposta à sua última tentativa o capitão-mor mandou uma carta dizendo que na manhã seguinte ele teria sua resposta.

A resposta era o casamento de Flor com Leandro Barbalho seu primo, antes do casamento se consumar Fragoso deu-se pelo que se passava e inicou o combate armado, enquanto tal se passava o padre Teles realizava o casamento, mas antes dele terminar uma flecha o atingiu matando-o. Depois desse momento Arnaldo voltou a si, afinal não perdera a sua amada, fez um sinal para a tribo Jucás e assim de um lado os índios atacaram e do outro os récem chegados empregados e assim venceram Fragoso e seus homens.
Ao final o capitão-mor veio descobrir que a vitória só foi possível pela ação de Arnaldo e ofereceu-lhe o que quisesse, não lhe pediu a mão da amada Flor, pediu a de Alina para Agrelaum, um dos empregados da casa e só.

O primo Basílio Autor do livro: Eça de Queirós

Luísa e Jorge eram casados, viviam um casamento feliz e repleto de alegria e paixão nos primeiros anos. Essa boa convivência despertava em Jorge um desânimo quanto à sua viagem a trabalho para Alentejo. Na manhã antes da viagem Luísa leu no jornal que retornava a Lisboa, depois de fazer fortuna no Brasil, Basílio Brito, seu primo e também seu primeiro amor. Basílio era rico, mas depois de empobrecer foi para o Brasil e através de uma carta, após algum tempo, rompeu com Luísa. Por muito tempo ela esteve infeliz com o fim do romance, mas depois de novas amizades feitas e tempos passados esqueçeu-o e assim veio o casamento com Jorge.

Num domingo à noite, como de costume, reuniram na casa de Luísa e Jorge seus amigos: Julião, Sebastião, D. Felicidade, o conselheiro e Ernestino. Logo depois Jorge viajou e Luísa ficou sozinha apenas com as empregadas: Juliana, com quem não se dava bem e que apenas aceitava em casa por gosto de Jorge que se sentia agradecido por ela ter sido uma enfermeira fiel a sua tia tempos antes dela morrer e Joana, a cozinheira.

Logo após a partida de Jorge veio ter com Luísa seu primo Basílio. Conversaram e no dia seguinte ele retornou. Passou então a freqüentar a casa todos os dias. E logo, entre essas visitas, declarou por ela um amor que vinha desde a mocidade. Inicialmente Luísa o censurou; mas as lembranças do romance passado, a ausência de Jorge e as doces palavras de Basílio a fizeram ceder. Assim iniciou o caso dos dois. A essa altura a vizinhança já comentava a constância de Basílio na casa do “engenheiro”, Sebastião que a pedido de Jorge ficou como a zelar de Luísa depois de muito pensar teve com ela, coisa que não fizera antes por sempre estar com visita, e lhe disse o que se passava na vizinhança.

Nesses tempos Juliana, que tinha rancor de Luísa, ficava na espreita para confirmar sua suspeita acerca da infidelidade de Luísa. Juliana nutria tal sentimento por se sentir injustiçada quanto à morte da tia de Jorge a quem se dedicara e nada recebeu em troca e também pela inveja que tinha da senhora. Os falatórios na rua e o desejo de maior privacidade levaram Luísa e Basílio a terem um local de encontros, o “paraíso”. Passaram a se encontrar constantemente lá. E rapidamente novas fofocas se fizeram, estas se justificaram graças a D. Felicidade que teve um pé quebrado e assim as saídas de Luísa foram atribuídas às visitas na casa da amiga.

O “paraíso”, no entanto, não era um lugar extremamente agradável, possuía uma grandiosa simplicidade e já tinha sido local de encontro de outros. Luísa e Basílio tiveram ali grandes momentos, certa vez quase romperam, porém o “nunca mais” que o rompimento representava o empendiu de acontecer. Jorge continuava no Alentejo e falava a Luísa através de cartas. Às vezes ela até sentia remorsos, mas o romance seguia.
Foi até o momento em que Juliana, tendo em suas mãos cartas dos dois, se apresentou. Luísa se desesperou e junto a Basílio buscou uma solução. No entanto, depois que Basílio voltou ao hotel onde hospedava e teve com o amigo que o acompanhava decidiu que o melhor era ir embora. Assim foi ter com Luísa, disse que os negócios o chamavam com urgência à Paris, mas que voltava em breve. Perguntou quanto dinheiro Juliana queria pelas cartas, mas Luisa rancorosa despediu-se com frieza e disse que ela resolvia sozinha o problema com a empegada.

Juliana queria seiscentos mil contos de réis, foi aí que iniciou o tormento de Luisa. Pensou em contar a Sebastião e lhe pedir ajuda, mas desistiu. Logo Jorge chegou e nesses dia Luisa viu que sempre o amara e mais que nunca o amou. Juliana esperando seu dinheiro segurou o segredo através dos presentes que recebia de Luisa. Ela lhe concedeu um quarto melhor, lençóis de linho, um colchão melhor, uma cômoda cheia de roupas que antes perteceram à própria Luísa. Juliana então decidiu gozar do luxo que possuía.

Assim, deixou de cumprir suas tarefas, Luísa pra esconder tal coisa de Jorge começou a fazer os serviços de Juliana, pois quando fazia deixava pelas metades. Vendo que Jorge observava tudo que se passava procurou sua amiga Leopoldina. Essa era uma amizade da qual Jorge não fazia gosto, porque Leopoldina tinha muitos amantes, mas como a amizade vinha dos tempos de colégio Luísa não quis rompê-la. Luísa procurou a amiga e revelou toda a traição e pediu que a ajudasse. Leopoldina sugeriu que ela procurasse Castro, um homem rico que era capaz de fazer tudo por ela, Luísa abominou a idéia, mas depois se rendeu quando em uma manhã viu que ele partiria em breve para o estrangeiro.

Leopoldina chamou o homem que chegou rapidamente, o dinheiro foi pedido e o homem concedeu, qunado Luisa ficou a sós com ele que se jogou em cima dela, usando o chicote dele, Luísa o pôs pra fora a chicotadas, ficando sem o dinheiro.
Jorge via a comodidade de Juliana e a defesa que Luísa lhe dava e passou a ter raiva da empregada. Luisa justificava as faltas dela com a doença que a pobre sofria. Mas em uma manhã, Jorge vendo o estado da casa avisou que ao anoitecer queria vê-la na rua. Fez-se nova confusão na casa. Luísa entre choro pôs Juliana na rua e suplicou que ela fosse sem escândalo. Correu, então, até a casa de Sebastião contou-lhe tudo e ele sem perguntas disse que ajudaria. Precisava ficar só com a empregada e por isso Luisa e Jorge, acompanhados de D. Felicidade, foram ao teatro.

Sebastião junto a um policial foi à casa de Jorge, teve com a mulher e pediu que lhe entregasse as cartas se não iria presa. Com as cartas nas mãos, Juliana antes de sair caiu no chão morta, sua saúde era fraca, os nervos e a ira que lhe foi provocada a mataram. Quando os donos da casa chegaram Sebastião tinha chamado Julião e disse que entrara na casa e a mulher que esbravejava por ter sido demitida caiu morta.
Ela foi enterrada, no dia seguinte Luísa amanheceu com uma febre que só foi piorando. Teve então dias melhores, conheceu a empregada nova, Mariana. Com as melhoras fez até mesmo planos para o futuro, mas quando ela estava melhorando chegara uma carta para ela, Jorge acabou lendo-a.

A carta era a resposta de uma carta enviada por Luisa a Basílio em que arrependida lhe pedia o dinheiro para pagar Juliana. Na carta, Basílio disse que demorou receber a carta dela e que se ainda precisasse do dinheiro lhe mandasse um telegrama. E ainda declarava-lhe amor e lembrava do “paraíso”. Jorge viu a traição e por isso vinha tratando diferentemente Luisa, que apesar da sua melhora ainda estava fraca e por isso quando Jorge e o seu mau humor e frieza lhe entregou a carta, desmaiou.
Daí em diante Luísa piorou grandiosamente. Antes que ela perdesse a lucidez Jorge lhe deu um beijo e foi correspondido, nesse momento tudo foi perdoado, mas daí pra frente Luísa não teve melhora, pelo contrário, adoeceu gravemente, teve “febre cerebral” acompanhada por delírios. Por fim morreu. Em casa, Jorge e os amigos lamentavam. Dias após a morte de Luísa, Basílio voltou a Lisboa para findar seus negocios por lá. Procurou Luísa e encontrou a casa fechada, Jorge vivia com Sebastião, o vizinho que lhe falou da morte. Basílio apenas voltou ao hotel lamentando-se por não ter levado consigo uma amante de Paris.

O crime do padre Amaro Autor do livro: Eça de Queirós

Amaro perdeu a mãe ainda criança, e então passou a viver na casa da senhora marquesa de Alegros de quem sua mãe era empregada. Ele naturalmente vivia sobre a proteção da senhora marquesa, e não só ela como as duas filhas viviam sobre uma grande influência da igreja e tinham como companhia praticamente constante o padre Liest.
Depois da morte da senhora marquesa, Amaro foi levado pra viver com seu tio e passou a trabalhar no balcão da mercearia do tio.

Como era a vontade da senhora marquesa que Amaro se tornasse padre, quando aproximava a sua ida ao seminário o tio lhe pôs em aulas de latim, foi assim que ele teve os primeiros contatos com as coisas que a vida abrange.

Amaro foi ao seminário sem nenhuma vocação, como muitos que estavam ali. Planejavam fugas, e ele perdia o sono à noite desejando mulheres e se enchia de curiosidade sobre a Virgem em quem via uma linda mulher loira e tentadora.
Quando se formou foi enviado a uma paróquia na serra onde a monotonia reinava junto aos pastores. Voltou então a Lisboa e procurou por Sra. D. Luisa, uma das filhas da senhora marquesa, que era casada com um conde. Depois de um tempo, o conde lhe arrumou uma paróquia em Leira e Amaro foi pra lá a fim de exercer o sacerdócio.

Em Leira, em contato com o cônego Dias, conseguiu alugar um quarto na casa de Dona Joaneira e sua filha Amélia, lá as noites eram agradáveis em serões com o padre Natário, o padre Brito e algumas devotas beatas.

A moça Amélia era uma das mais formosas raparigas de Leira. Quando mais nova se apaixonara, em uma viagem que fez ao mar, por Agostinho que depois de um tempo se fez casado para a tristeza da menina. Então apareceu por Leira, João Eduardo, um rapaz que se interessou logo por Amélia, ela inicialmente até pôde ter lhe retribuído o afeto, mas depois ele não passava de um pretendente insistente.

Como era de se esperar, tanto em Amaro como em Amélia despertou uma paixão. Ele durante a noite a ouvia caminhar pelo quarto enquanto se despia. Ela quando não tinha o padre em casa ia ao quarto dele e ficava a descobrir as coisas e tocá-las como se fosse o pároco.

Foi depois de um almoço com os padres que Amaro indo embora pela fazenda encontrou-se com Amélia. Essa o convidou para ir ao Morenal, a pequena terra da qual ela e a mãe eram donas. Ele aceitou o convite e como a porteira estava trancada os dois tomaram um atalho, foi aí que Amaro beijou o pescoço da menina e ela foi embora correndo.
Depois de tal coisa o padre achou melhor mudar-se da casa. Procurou o cônego Dias e pediu que lhe arranjasse uma nova morada. O cônego arrumou uma casa com alegria, afinal ele e D. Joaneira eram “amantes” e a estadia do padre atrapalhava o encontro dos dois que tinham que escapar de Amélia e agora do pároco.
Depois que se mudou Amaro deixou de freqüentar a antiga morada e vivia plenamente chateado em estar sozinho naquela casa sem poder ter ao seu lado Amélia. Já na casa de D. Joaneira não era diferente, a menina vivia em tristeza por saudades do padre. Foi assim que mãe e filha foram juntas a uma missa na paróquia de Amaro, Amélia deu um jeito de lhe falar que aparecesse, porque ela já não se agüentava.
Daí pra frente Amaro voltou à convivência na Rua da Misericórdia e começou seu romance com a menina. Tal coisa se baseava em se sentarem um do lado do outro todo o tempo, em troca de olhares e roçar de mãos durante o quino. Mas nesse ponto da história existia ainda presente João Eduardo, que morria de ciúmes do padre e odiava todo o clero.

Foi nessas circunstâncias que ele, que secretamente trabalhava como jornalista, escreveu um artigo denunciando as verdadeiras atitudes dos padres com quem convivia na casa de D. Joaneira. O comunicado foi publicado, mas sem assinatura direta. Os resultados foram a transferência do padre Brito e boatos sobre a honestidade de Amélia, uma vez que no artigo citavam a existência de um padre sedutor que enganava certa moça.
Depois disso padre Natário afirmou que não descansaria enquanto não descobrisse quem era o autor do artigo e arruinasse a vida de tal cavalheiro. E João Eduardo era um herói dentro do jornal para aqueles que sabiam do seu feito, dessa forma ele conseguiu um novo emprego. E assim que soube do emprego foi à casa de D. Joaneira e afirmando não ter nenhuma dúvida em relação à honra de Amélia a pediu em casamento.

Amélia, diante do escândalo que se tornou o artigo, aceitou o casamento e Amaro desde então deixou de freqüentar a casa da moça tão constantemente e das vezes que ia se irritava em como em instantes a menina o abandonara e já ficava de segredos com João Eduardo e o tinha esquecido.

Depois de um curto tempo dessa nova “felicidade” o padre Natário descobriu que João Eduardo escrevera o artigo e que ainda por cima não se confessava há anos e era um completo pagão. O padre também se encarregou de fazê-lo perder o emprego atual e o futuro e de ser excomungado da igreja. E padre Amaro se ocupou em fazer Amélia acabar com o casamento, afirmando que o rapaz não só fora o responsável por “sujar” a honra dela e como também ela levaria uma vida no inferno casando-se com um pagão como ele. E nessa noite em que ele falou com a menina também dela conseguiu um beijo, aproveitando-se da fragilidade da situação e da moribunda, que era uma das beatas amigas da casa que dava seus últimos suspiros no quarto ao lado.

Depois disso o rapaz procurou modos de se vingar, buscou ajuda entre os seus conhecidos “poderosos”, mas acabou se aliviando apenas desabafando com um amigo que também odiava o clero.

Na rua da misericórdia as coisas se acertavam entre Amaro e Amélia. Voltavam ao relacionamento que mantinham antes do artigo de João Eduardo e agora por influência do pároco a menina passou a se confessar com ele. A última arrumação de Amaro foi ir à casa do sineiro da igreja e inventar uma história de que Amélia queria ser freira contra a vontade da mãe, e assim o pobre homem cedeu a casa para que o pároco a instruísse. Para os amigos o padre disse que Amélia ia ali para ensinar a ler a filha do sineiro, a paralítica. E assim os dois ficavam cinco minutos com a menina e depois iam para o quarto do sineiro, que se retirava da casa durante as lições, e se entregavam ao pecado da carne.

O arranjo ia bem, até que a paralitica Totó passou a odiar Amélia e a gritar “vão para o quarto como cães”, com essa a moça passou a viver em um tormento, acreditando no pecado e no abandono dos Santos. A situação ia de tal modo que D. Joaneira pediu ao cônego que fosse ver se a menina estava indemoniada. Então surgiu o primeiro problema, a paralítica contou ao padre que os dois subiam ao quarto e davam risadas e que se podia ouvir o ranger da cama.

O cônego naturalmente foi falar com Amaro, no entanto, ele quando morava na casa de D. Joaneira teve oportunidade de ver o cônego com a senhora e assim os dois, em um laço de camaradagem, se calaram. Chegavam até a se tratarem como sogro e genro!

Eis que o tempo passou e tudo ia bem, tirando as crises nervosas de Amélia. Porém a moça engravidou. Amaro logo procurou o cônego e a primeira coisa que se pensou foi em fazer a rapariga se casar com João Eduardo, inicialmente ela não gostou da idéia, mas só lhe restava aceitar. Dionísia, que sabia do caso e era cúmplice de Amaro, foi atrás do rapaz, mas para a infelicidade deles ele tinha ido ao Brasil.

Assim, o desespero voltou, mas logo uma nova idéia veio a eles. A irmã do cônego estava doente, talvez em seus últimos dias, porém o cônego queria ir ao mar, mas a irmã não podia e ele não podia deixá-la sozinha. Sendo assim, Amaro falou à moribunda que nos últimos dias de vida era bom fazer uma boa ação para alegrar a Deus e assim ser mais bem sucedida na eternidade, então lhe contou que Amélia estava grávida de um homem casado, chegou até insinuar quem seria o pai.

Resolveram ir todos para a praia, ficando a moribunda e Amélia como enfermeira, estas iam para Ricoça. Foi o que fizeram. Em Ricoça não passava gente e assim a menina teria o filho que depois seria entregue a uma ama e a moribunda a serviria de auxílio, afinal queria agradar o Senhor em seus últimos dias.
No entanto, a senhora era maligna com Amélia e ela ali vivia em uma grande solidão. Logo tinha por companhia apenas o abade Ferrão. A amizade deste trouxe à Amélia a visão que ele tinha de Deus, um pai amoroso e não o tirano que se imaginava, logo a menina se confessou ao abade e não queria mais viver o romance com Amaro. A reação dele, quando suas cartas pararam de serem respondidas, logo foi de estrema raiva, mas como teve com o cônego aprendeu que se fazer indiferente a ela iria trazê-la de volta, assim fez e o plano deu certo.

Nesses tempos João Eduardo tinha reaparecido e agora era mestre dos filhos do Morgadinho, outro que odiava o clero. Os planos do abade Ferrão era casar o rapaz com Amélia, e ela estava até animada com essa idéia, até reatar com Amaro.

Eis que chegou a hora do parto e como o doutor Goudinho acabara descobrindo a gravidez devido às visitas a moribunda, ele fez parto. Nasceu um menino e Amaro o levou para entregá-lo a ama, Carlota, no entanto ela carregava a fama de que matava as crianças que lhe eram entregues, mas Amaro entregou o filho a ela, porém deixou claro que o queria vivo.
Na mesma noite do nascimento, Amélia teve convulsões e Goudinho lutou durante toda a noite para manter a rapariga viva, por fim ela morreu.

Chegada a notícia, Amaro foi procurar seu filho, queria o entregar a outra ama e garantir a sobrevivência dele. Quando chegou era tarde, a criança estava morta. Amaro simplesmente voltou à paróquia, escreveu ao cônego falando da morte da menina e do filho e partiu pra Lisboa onde pretendia assumir nova igreja. Dionísia se ocupou em espalhar a causa da morte de Amélia.

Algum tempo depois, o cônego e Amaro se encontraram em Lisboa e juntos ficaram a conversar da excelência de Portugal juntamente com o conde que arranjara a paróquia de Leira a Amaro.

O ALIENISTA- MACHADO DE ASSIS

Em Itaguaí morava Simão Bacamarte, um grande estudioso de medicina, o maior médico do Brasil. Casou-se com D.Evarista que não tinha nenhum atributo de beleza, mas tinha todas as chances de dar a Dr. Simão filhos robustos e inteligentes. No entanto não aconteceu. Mesmo depois de dietas e ações médicas realizadas por Dr.Simão os filhos não chegaram. Ele então se dedicou ao estudo da medicina e dentro dela se interessou pela neurologia, estudando assim a sanidade e a loucura humana.

Foi então que pediu licença ao governo de Itaguaí para constriur uma residência onde os loucos da cidade se instalariam e seriam tratados favorecendo também o estudo de tal doença. D.Evarista tentou desiludi-lo inventado uma viagem ao Rio de Janeiro, mas ele não cedeu.
Assim foi inaugurada a Casa Verde. D. Evarista na semana de festa da inauguração era como uma rainha, mas depois começou o trabalho e Dr. Simão dedicava-se ao estudo dos seus loucos arduamente, e assim, passaram-se dois meses e D. Evarista sentia-se uma desgraçada e logo caiu em melancolia. O marido, a fim de tirá-la desse estado, concedeu-a uma viagem ao Rio de Janeiro. Acompanhando-a foi a tia e a mulher do boticário, amigo íntimo de Simão, e toda uma comitiva.

Dr. Simão estudava mais ainda e se dedicava. Foi então que começou o terror em Itaguaí, foi levado à Casa Verde, Costa. Ele havia recebido uma herança que dava-lhe para viver até “o fim da vida”, mas gastou-a toda em empréstimos aos outros indo para a miséria.Todos surpreenderam-se com a prisão de Costa, já que esse era um homem são. Quando a prima foi pedir pelo primo acabou também sendo levada presa. Depois prenderam Mateus, o homem apenas tinha uma bela casa com um belo jardim a qual vistoriava cedo e à noite repousava para que os outros admirassem a ele e a casa.
A comitiva voltou com D. Evarista e a mulher do boticário. Ela era a esperança da cidade de que Simão parasse com suas prisões. No entanto, em um jantar, um rapaz que discursou glorififcando D. Evarista foi levado preso à Casa Verde. Nesse ponto o povo se revoltara e seguindo ao barbeiro formaram um grupo que gritava contra Dr. Simão e sua Casa Verde.

Chegaram a casa dele gritando a sua morte, pediram a liberdade dos detentos, ao que Simão negou. Foram então para a Câmara, no caminho encontraram as tropas do governo, mas logo esta se pôs ao lado do povo e foram ter com o poder. Esse foi derrubado e o líder da revolta, o barbeiro Porfírio, foi posto no poder. No entanto ação nenhuma foi tomada contra a Casa Verde e mais homens foram encaminhados para lá. João Pina foi ao poder, nisto veio uma força mandada pelo o vice-rei e Porfírio foi levado pra Casa Verde e mais muitos homens. Por fim até a esposa, D. Evarista foi condenada por algum tipo de loucura e levada também.

Depois de algum tempo todos os loucos foram postos fora, e as famílias foram restituidas. Foram então levados à Casa Verde aqueles que “gozavam do perfeito equilíbrio de suas faculdades mentais”. A câmara aprovou o projeto por um ano para realização de experiências.

No fim do tratamento todos foram postos fora e Dr. Simão concluiu que os cérebros bem organizados récem curados eram desequilibrados como os outros e que em cada cérebro havia os dois. Depois de tal conclusão Dr. Simão viu nele o perfeito equílibrio mental e confirmado tais coisas pelas pessoas, se deteu na Casa Verde para estudar-se e morreu ali após dezessete meses. Boatos diziam que o único louco que havia em Itaguaí foi o Dr. Simão Bacamarte.

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILICIAS- MANOEL ANTONIO DE ALMEIDA

Leonardo e Maria viajavam de Lisboa rumo ao Rio de Janeiro, no navio se apaixonaram, logo após casaram e tiveram um filho chamado Leonardo, que desde pequeno era manhoso e arteiro. Com o passar do tempo Maria começou a trair o marido e quando esse descobriu, deu uma surra na mulher, que acabou fugindo com seu amante, o capitão de um navio, para Lisboa. Leonardo simplesmente foi embora, abandonando o filho.

Leonardo (filho) ficou então aos cuidados de seu padrinho, um barbeiro “bem arranjado”, que passou a estimar muito o menino. Planejou fazê-lo padre, iniciou a escrita e a leitura, bem precariamente, e depois o encaminhou à escola. Por esses tempos a madrinha de Leonardo também apareceu e lhe visitava sempre. O menino não passava um dia sem apanhar na escola com a palmatória do mestre. Quando passou a ir sozinho, faltava às aulas e ia para igreja se juntar a Tomás e fazer bagunça.

Imaginando a facilidade que teria em aprontar se viesse a ser coronhinha como o amigo, pediu ao padrinho que lhe fizesse tal, o padrinho aceitou alegremente o interesse pela igreja. Mas logo o menino foi expulso por tanto aprontar. Já rapaz levava uma vida de vadio. Ele e seu padrinho passaram a frequentar a casa de D. Maria, essa tinha uma sobrinha, Luisinha, Leonardo apaixonou-se por ela.
Em meio às suas intenções, apareceu um rival, José Manuel, sua madrinha tomou parte e inventou uma mentira para que o rival de seu afilhado perdesse a estima que tinha. Nesses tempos o padrinho morreu e Leonardo foi viver com seu pai que, depois de muito lutar por uma cigana, acabou casado com a filha da comadre. Ele não se dava muito bem com a madrasta, então, em um dia após visitar D. Maria e não ver Luisinha, se envolveu de novo em uma briga com a madrasta, seu pai tomou parte dela e o ameaçou com uma espada. Leonardo fugiu para a rua.

Depois de muito andar encontrou-se com Tomás e mais uns amigos, dentre eles Vidinha, que lhe despertou uma nova paixão. Foi viver na casa deles, lá viviam duas senhoras irmãs, uma era mãe de três moças e outra, mãe de três rapazes. Uma das moças era namorada de Tomás e Vidinha era a paixão de dois dos rapazes. Como essa se mostrava mais interessada em Leonardo, os dois primos armaram contra ele.
A armação levou-o preso pelo major Vidigal, homem muito temido. Mas antes que chegasse à cadeia, o rapaz fugiu. Com o objetivo de evitar motivos para uma nova prisão, a madrinha de Leonardo lhe arrumou um emprego na casa-real, mas o rapaz logo foi despedido por ter se aproximado da mulher de um dos homens do poder da casa.

Ao saber de tal acontecimento, Vidinha foi tomar satisfações. Leonardo saiu atrás dela para impedir, quando chegaram à porta da casa, na indecisão de entrar ou não, ele acabou sendo levado por Vidigal que o esperva por lá. Nesses tempos a mentira da madrinha tinha vindo à tona e José Manuel foi redimido e ganhou a mão de Luisinha em casamento, logo depois mostrou o mau caráter que tinha.
Leonardo foi feito granadeiro do major Vidigal, Vidinha e sua família buscaram muito por ele e, sem encontrar, passaram a odiá-lo por cometer a desfeita de abandonar sem explicação quem o acolhera. Em uma noite, Vidigal, armando a prisão de Teotônio, mandou Leonardo até a casa do pai dele, lá estava dando a festa de batizado da filha de tal e Teotônio animava a festa. Leonardo ficaria no batizado para facilitar a captura, Vidigal e seus homens esperavam na porta.

No entanto, Leonardo se sentiu um traidor e armou com Teotônio sua fuga sem que se comprometesse. O plano deu certo, mas de tão alegre que ficou acabou por se denunciar. Vidigal então o prendeu. Ao saber de tal coisa sua madrinha foi rogar por ele ao major, sem resultado; após uma forte reconciliação com D. Maria, foi as duas pedir a libertação do rapaz, o que não conseguiram.
As duas senhoras foram atrás da ajuda de Maria-Regalada, a primeira paixão de Vidigal, ela concedeu a ajuda e as três foram implorar pela libertação de Leonardo. Depois de muito tentar e nada conseguir, Maria-Regalada falou em particular com Vidigal, disse que se libertasse o rapaz iria viver com ele, como ele já lhe pedira muitas vezes. Com tal proposta, o major cedeu e ainda prometeu uma surpresa.

Durante tais acontecimentos Luisinha ficou viúva, foi no dia do enterro de José Manuel que Leonardo apareceu, tinha sido feito sargento. Passou a frequentar novamente a casa de D. Maria, seus interesses por Luisinha renasceram e os dela também. A madrinha e D. Maria estavam mais do que de acordo com o casamento deles, o que impedia era o posto de sargento, que não permitia o casamento. Pediram então novamente a ajuda de Vidigal, que nesses tempos já vivia com Maria-Regalada. O homem cedeu com gosto e fez de Leonardo sargento de milícias, ofício que permitia o casamento.

Dado a essas circunstâncias, casou-se com Luisinha. Depois de tais acontecimentos, Leonardo pai e D. Maria faleceram.

LUCÍOLA- JOSÉ DE ALENCAR

Paulo se encontrou com Lúcia pela primeira vez em uma rua do Rio de Janeiro, seu primeiro contato foi lhe entregar o leque que ela acabara de deixar cair. Desde esse momento Lúcia o amou – como mais tarde revelou a ele.

Mais tarde eles se encontraram em um dos bailes e foram apresentados por Sá, amigo de Paulo. Daí em diante os dois se ligaram eternamente. Nos dias seguintes a essa apresentação, ele foi ter com Lúcia na casa dela. Depois de conversarem um pouco ela, com uma sensualidade e ferocidade distinta, fez seu serviço – Lúcia era uma prostituta.

Tratava se de uma jovem de 19 anos, uma das mais belas da corte. Tinha amantes por seis ou menos meses e depois se separava deles para sempre. Era rica e avarenta e a grande maioria dos homens a desejava.

Paulo era um recém chegado ao Rio. Não era um homem rico, na verdade, afirmava ser pobre. Era um homem simples. Viera para a corte para iniciar uma vida, ou seja, firmar-se em uma profissão e fazer uma família.

Desde a primeira fez que estiveram juntos, ele já a desejava. E foi assim que foram a um jantar na casa de Sá. Na verdade se tratava de uma noite de orgia preparada. Eram quatro cavalheiros – dentre eles Paulo, Sá e Couto – e quatro mulheres, uma para cada um deles. Lúcia e Paulo eram um casal.

Primeiro findariam a refeição e poriam fim ao alto consumo de bebidas para depois vir a segunda parte, às duas horas da manhã, para preservarem a “inocência dos criados”. Depois de comer e beber, Sá pediu atenção aos quadros na parede e assim que todos observaram, Lúcia começou uma apresentação sensual de representação das obras.
Paulo, que pedira a ela que não fizesse tal coisa, se retirou da sala. Porém ainda observou algumas ações pela porta entreaberta. Acabada a apresentação, Lúcia foi para fora também, lá ela e Paulo desculparam-se. Ele que não queria ser tão radical ao sair da mesa e ela por ter sido tão baixa com aquela demonstração. Assim, os dois se perdoaram e juraram que estariam juntos. E dormiram ali fora.

Daí para frente Lúcia e Paulo se tornaram amantes. Ele fora declarado por ela dono e senhor dela própria e da casa em que viviam – posição que a nenhum outro ela concedera – e ele ficava lá tendo permissão para sair apenas nas terças e quintas. Assim passaram por uma pequena existência.

Foi quando Paulo se encontrou com Sá que um problema os atingiu. Afirmavam por toda a corte que Lúcia o sustentava, visto que a moça não aparecia mais nos bailes, não se via vestidos e jóias chegando a seu endereço e ainda não a viam ocupando nenhum camarote no teatro. Depois dessa os dois tiveram o primeiro “rompimento”.

Lúcia, que dizia obedecer qualquer vontade de Paulo, no mesmo dia procurou a Couto, um velho rico. Assim as acusações se findariam. Ele os viu juntos pela manhã e quando à tarde foi até a casa dela, encontrou- a arrumando-se para sair com ele. Porém, Lúcia vendo que isso não agradava a Paulo imediatamente tirou o vestido e mandou falou a Couto que não iria, mas Paulo disse-lhe para ir e assim ela fez. No dia seguinte já estavam unidos novamente.

Viviam juntos em sua casa, até que com o tempo o fogo que tinham foi acabando e o relacionamento já não era como antes. Lúcia temia estar com Paulo, no entanto a presença dele a alegrava e era a única coisa que desejava. Foi assim que uma vez separados ela foi à casa dele, onde organizou tudo, e depois se reconciliaram. Nessas circunstâncias, um homem desprezível chamado Jacinto entrou para a convivência deles.

Assim que Lúcia o declarou como apenas uma espécie de criado, Paulo se aquietou.
Nesse tempo, Lúcia já passara a dormir em outro quarto, muito mais simples e casto, suas roupas também neste tempo tinham se tornado simples. Os dois viviam apenas desfrutando a companhia de um e outro. Foi então que Paulo, querendo fazer uma surpresa, chegou à casa de Lúcia silenciosamente, porém o que viu foi Jacinto dando-lhe algo que parecia ser dinheiro no antigo quarto dela, onde os lençóis estavam todos bagunçados.

Paulo sentia-se traído. Porém mais tarde descobriu, ouvindo o próprio Jacinto contar, que os lençóis estavam bagunçados porque veio ali um comprador que quis avaliar os móveis e seu estado, e que o que ele entregava a ela eram os papéis da venda daquela casa e a compra de um sítio mais afastado.

Uma nova fase na vida de Lúcia e Paulo começou. Ela mudou-se para o tal sítio e ali vivia com sua irmã, Ana, que tinha doze anos. Paulo freqüentava a casa assiduamente, ele e Lúcia viviam uma espécie de amizade, ele muitas vezes desejava mais, mas Lúcia afirmava que o maior bem que poderia ter era a presença dele, e que estarem juntos era impossível, ainda mais que podia lhes ocorrer uma gravidez, o que para ela seria terrível. Ter que doar parte de sua alma e da dele que estava nela para o nascimento de um filho.

Assim viviam em uma grande simplicidade. Nesse tempo Lúcia contou a ele sua história, de como era uma menina pobre e que vira todos que amava, ou seja, sua família, sofrerem com a febre amarela e ela, sendo a única sadia, acabou prostituindo-se no máximo de sua inocência para conseguir dinheiro para socorrer a família. Contou ainda como Couto a iniciara e ainda como, depois de curado, o pai a expulsou de casa ao saber a origem do dinheiro. Isto fez com que ela realmente se firmasse na profissão. Seu verdadeiro nome era Maria da Glória, mas chamava-se Lúcia pois havia assumido o nome de uma amiga que teve e com quem dividiu a casa. Quando ela morreu, Maria da Glória fez o óbito em seu nome e se tornou Lúcia, dando à sua família não mais uma filha prostituta, mas só a boa filha que morrera. Foi para a Europa como Lúcia e quando voltou encontrou apenas Ana viva.

Lúcia então entregara toda a sua riqueza para a irmã e vivia apenas do pouco que ganhava trabalhando – não mais como prostituta. Por fim, Lúcia pediu a Paulo que se cassasse com Ana, pois assim eles mesmos seriam eternamente ligados e ele encontraria em Ana ela mesma.

Depois disso, Lúcia adoeceu. A verdade era que estava grávida de Paulo e para ela era a hora de partir, servindo ela mesma de túmulo para o filho. Foi assim que em seus últimos momentos declarou que amara Paulo desde a primeira vez que se viram e pediu-lhe mais uma vez para que se cassasse com Ana, mas Paulo disse que não seria capaz, então Lúcia o incumbiu de ser como um pai para a menina, e ali, em um último beijo, ela partiu.

Paulo nunca se casou, vivia na lembrança de seu amor por Lúcia e servindo a Ana, que estava feliz e casada, como um pai.

IRACEMA- JOSÉ DE ALENCAR

Iracema era a filha do pajé Araquém da tribo dos tabajaras. Em um dia quando banhava em um rio chegou até ela um estrangeiro, Martim. Assim que o viu a observá-la o atacou com uma flecha, mas a expressão de Martim foi tal que Iracema viu a mágoa que causara e assim se perdoaram. Seguiram então para a tribo da jovem índia, onde ele foi hospedado. Rapidamente os dois se apaixonaram, mas Iracema era a virgem de Tupã o que tornava o amor deles proibido.

Em uma noite ela levou Martim ao bosque da Jurema onde lhe ofereceu uma bebida que o adormeceu e lhe proporcionou rever em sonhos seus melhores momentos e suas esperanças. Nos seus sonhos chamou por Iracema que se reclinou sobre o estrangeiro, novamente ele a chamou, mas assustada ela o deixou adormecido e foi embora, quando retornava do bosque encontrou-se com Urapuã, o chefe dos guerreiros.

Esse tinha visto o estrangeiro sair com a virgem e agora queria matá-lo acreditando que Iracema havia se entregado ao estrangeiro, ela se opôs dizendo que não permitiria e assim Urapuã jurou matar Martim, e foi embora. Iracema ficou a velar Martim. Ele ao acordar pela manhã encontrou Iracema na entrada do bosque. Ela estava triste, a situação não permitia que eles ficassem juntos, Martim resolveu que o melhor era que ele partisse.
Mas sua vida corria perigo, e por isso Iracema foi à tribo dos pitaguaras, rivais dos tabajaras, ter com o amigo de Martim, Poti o maior guerreiro. Logo ele veio ao encontro de seu amigo para lhe ajudar na fuga. Ouviram Iracema que aconselhou a partida durante a festa da lua das flores, pois ninguém estaria prestando atenção.
Na espera para o dia da festa, Iracema e Martim ficaram juntos e Tupã perdeu sua virgem. Chegado o dia da fuga, Iracema os acompanhou, mas quando já estavam fora das terras dos tabajaras a índia declarou que não podia se separar do estrangeiro e seguir com ele. Estavam adiantados, mas quando os guerreiros tabajaras acordaram seguiram o rastro deles e depois de um tempo os alcançaram, iniciaram uma batalha e Iracema lutou contra os da sua tribo. O cão de Poti guiou os guerreiros da pitaguara que socorreram Martim e Poti e esses saíram vencedores.

Por um tempo a tristeza pertubou Iracema que traíra sua tribo, mas Martim fazia sua alegria. Os três foram caminhando pelas terras dos potiguaras até que chegaram ao mar onde se instalaram. Lá viviam também outros índios, tribos de pescadores mais à margem dos braços do rio e tribos caçadoras mais pra dentro da mata.
Depois de um tempo Martim e Poti foram ter com o grande chefe dos pitiguaras e ali o viram morrer. A alegria agora morava na alma de Iracema, banhava-se com alegria no rio e foi nesse tempo que deu alegria a Martim anunciando a espera de um filho. Martim então se fez grande guerreiro na tribo dos pitiguaras e assim tornou-se um deles recebendo o nome de Coatiabo e festejaram até a manhã.

A alegria morou ainda por muito tempo na cabana, mas em certo tempo a saudade de seus irmãos e da pátria apertou o coração. Martim saía para as batalhas contra os taputingas que, em aliança com Irapuã, vinham combater a nação dos pitiguaras.
Nessas partidas Iracema se entristecia, agora ainda mais por que via nos olhos de seu esposo a saudade que tinha de sua terra natal. Partiu Martim pra nova batalha. Essa contra os guaraciabas. Novamente os pitiguaras venceram e enquanto comemoravam a vitória Iracema deu a luz ao filho Moacir, o filho da dor. Iracema mergulhada numa tristeza profunda passou a esperar por seu esposo com o filho nos braços, por causa da tamanha tristeza ela perdeu o apetite e as forças.
Martim regressou e teve com seu filho, a graça de ser pai lhe reacendeu o amor, mas Iracema se enfraqueceu e acabou morrendo. Não tendo mais motivos para se prender àquelas terras o estrangeiro partiu com o filho para sua terra natal, prometou voltar e assim o fez depois de alguns anos. Aquela terra guardava uma amarga saudade, que lhe rendeu abundantes lágrimas que só se findaram quando ele tocou a terra onde repousava sua amada.

Martim veio acompanhado de homens de “sua espécie” e um sacerdote de sua religião, fundaram ali a mairi dos cristãos, o fiel amigo Poti que sempre o esperara foi o primeiro a adotar a religião. O Deus verdadeiro chegou àqueles povos, Martim lutou novamente a favor dos pitiguaras e com emoção lembrava os momentos que tivera com Iracema naquelas terras.

HELENA- MACHADO DE ASSIS

O conselheiro Vale havia falecido, era uma grande perca. Ele era um homem admirável, pertencente à elite. Restaram apenas Estácio, seu filho, e D. Úrsula, sua irmã. Depois da morte, Dr.Camargo, amigo da família, tentou preveni-los sobre o conteúdo do testamento, deixando-os mais preparados para certa cláusula presente no documento.

Quando o testamento foi aberto, os bens foram entregues aos herdeiros, algumas coisas foram destinadas a afilhados e uma filha, Helena, fora reconhecida. O conselheiro a reconhecia, dividia entre ela e Estácio os bens herdados e pedia para que a menina fosse recebida e tratada como nova integrante da família. Estácio, devido a seu caráter, aceitou a irmã instantaneamente, mas sua tia e Dr. Camargo eram contrários à idéia.

Helena chegou à casa em Andaraí. Estácio a recebeu e logo se tornaram íntimos e amigos. D.Úrsula se mantinha desligada da moça. Passou a ceder, aos poucos, aos encantos de Helena, mas enterneceu-se de vez quando, ao adoecer, viu a menina cuidar da casa e de seu leito. Dr. Camargo, no entanto, mantinha sua opinião e por isso ele e Helena não se davam bem.

Em um dia, Estácio e ela saíram em uma cavalgada. Quando passaram por uma casinha simples onde uma bandeira azul enfeitava o telhado, Helena buscou saber quem morava ali, mas não teve sucesso, e assim eles voltaram para casa.

Eles seguiam a vida. Estácio vinha já há algum tempo planejando pedir a mão de Eugênia, filha de Dr. Camargo, em casamento. Helena encorajava-o, mas ele não tomava atitude. Foi também nesses tempos que Estácio viu Helena receber uma carta que lhe despertou um grande interesse, pensava que a irmã vivia um romance e a idéia não lhe agradava. Foi por essa curiosidade que arrancou dela uma confissão: amava a alguém e amava muito.

No aniversário de Estácio, Helena deu a ele um quadro onde pintara o caminho que fizeram naquela primeira cavalgada e a casa da bandeira azul, mas mais tarde a presença daquela casa perturbou Estácio. À noite foi oferecido um baile a ele. Já quase no final da comemoração, Dr. Camargo teve com Helena e revelou-lhe o desejo de ver Eugênia casada com seu irmão, e usou isto para chantageá-la, referindo-se às idas dela à casa da bandeira azul.

Logo nos dias seguintes Estácio e Eugênia ficaram noivos. Seguido do noivado, uma tia de Eugênia adoeceu e ela, juntamente com a família, tinha que visitá-la. No entanto, Eugênia só se dispôs a ir depois que Estácio, vendo-se forçado, aceitou ir com eles. Para ele era um tremendo sacrifício separar-se de Helena, sua tia e sua casa. Nos dias em que ele se ausentou, Helena ficou noiva.

O noivo era Mendonça, amigo de Estácio e recém-chegado da Europa. Ele era filho de um comerciante, não tinha riquezas, mas amava Helena. Ela aceitou o noivado mesmo não gostando tanto dele. Quando o noivado foi concretizado, Mendonça escreveu a Estácio contando a novidade e ele voltou para casa rapidamente. O casamento lhe agradava um pouco, mas a confissão de tempos atrás de Helena influenciava sua resolução quanto a conceder a mão da irmã ao amigo.

Helena queria o casamento, julgava sua paixão confessada impossível e assim preferia o certo ao duvidoso. No entanto, Estácio não se sentia confortável com tal situação. A esse ponto Mendonça já se sentia desinteressado pelo casamento, pois surgiram insinuações de que estaria se casando por interesse.

Durante tais conflitos, Estácio viu, numa manhã em que saiu para caçar, Helena saindo da casa da bandeira azul. Surpreso, escondeu-se e, depois que ela foi embora, foi até a casa em que ela acabara de sair. Quando se escondera, cortara a mão e usou isso como pretexto para conhecer o morador da casa. Conversaram enquanto ele tratava do corte e um pouco mais depois.

Quando Estácio foi embora, acretidava que havia se enganado com Helena. O padre Melchior foi chamado e as relações na casa se tornaram tensas. Estácio duvidava dos atos de Helena, não sabia o que pensar sobre o que acontecia. Melchior foi o primeiro a entender, Estácio amava Helena e descobrir os encontros dela com aquele homem o abalou.

Logo a verdade foi revelada. O homem que habitava aquela casa tratava-se do pai de Helena, Salvador. A história de Helena era a seguinte: Ângela e Salvador fugiram para poderem viver seu romance e da união dos dois nascera Helena. Quando o pai de Salvador adoeceu, ele viajou para poder vê-lo, mas quando voltou para sua casa não encontrou sua mulher nem sua filha. Ângela havia se apaixonado pelo conselheiro Vale e agora vivia numa casa mantida por ele. O conselheiro tomara Helena como filha, pois acreditava que Salvador estava morto.

Com a morte de Ângela, Helena morava na escola e recebia visitas do conselheiro. Durante este tempo, Salvador subornava uma escrava da escola e assim ele e a filha mantiveram contato. Quando o conselheiro morreu e Helena foi reconhecida, ela quis revelar a verdade, mas Salvador sabia da condição de vida que teria a filha vivendo com ele. Por esse motivo, mandou Helena para ir viver na casa de Andaraí e os dois se encontravam sempre que era possível.

Diante tais revelações, Estácio preferiu deixar a situação como era. Eles agora podiam viver o amor que nutriam um pelo outro, mas provar que não eram irmãos seria desastroso demais. Nos dias seguintes o casamento de Helena com Mendonça ressurgiu, mas ela adoecera. Ela foi tratada, mas não surtia efeitos. Estácio havia decidido buscar pelo pai da “irmã”, que havia ido embora para que a menina seguisse com a vida, mas não foi preciso. Helena falecera, e, no instante em que ficara a sós com a falecida, Estácio deu-lhe o primeiro beijo de amor e partiu. Quando chegou em casa, conclui ao padre: perdera tudo.

CAPITÃES DA AREIA- JORGE AMADO

Nesse livro conhecemos os chamados “Capitães da areia” que se trata de um grupo de crianças abandonadas que vivem do furto.
O chefe desse grupo era o chamado Pedro Bala, ingressara na vida na rua com cinco anos e com um pouco mais de idade se mostrava mais corajoso e capacitado líder para as crianças, era loiro e filho de um grevista morto no cais. Nesse grupo viviam mais de cinqüenta crianças, entre eles o chamado Professor, Gato, Sem Perna, Volta Seca, Pirulito, Boa Vida, João Grande e outros. Todos viviam em um trapiche abandonado na praia.

Professor sabia ler e assim passava as noites à luz da vela lendo livros que de algum modo foram adquiridos, e também muitas vezes lia as histórias para os capitães ou então inventava a partir do que já lera. Possuía um grande talento para desenhar, muitas vezes ganhava alguns réis desenhando casais e jovens nas ruas da Bahia.
Gato era um dos mais belos do grupo, quando chegou um dos meninos tentou se relacionar com ele, o que acontecia costumeiramente no trapiche, mas ele não se dispôs. Era vaidoso, elegante e tinha ginga de malandro. Andava arrumado dentro do que era possível, de acordo com sua realidade de menino de rua, o cabelo sempre melado de brilhantina barata. Com sua pouca idade, na adolescência se apaixonou por uma mulher da vida, Dalva. No início ela tinha um amante, mas foi até que ele se cansou dela e a partir de então ela e Gato iniciaram um caso.

Sem Pernas, era coxo e odiava tudo. Uma vez fora pego pela polícia e isso despertara nele uma grande amargura, os policiais o colocaram em uma sala e riam enquanto forçavam o menino a correr pela sala. Ele implicava com os meninos mais novos e novatos. Muitas vezes ele era usado nos planos de assalto a casas, batia a porta pedindo ajuda, declarando ser um órfão aleijado. Despertava a compaixão e assim ficava na casa até descobrir onde os bens preciosos eram guardados, indicando-os depois aos capitães da areia. Foi assim que certa vez ganhou uma nova mãe que via nele o filho perdido. Era bem tratado, mas a fidelidade aos capitães impedia que ficasse lá para sempre, e foi assim também que se envolvera com uma mulher de meia idade que lhe oferecia um amor carnal e incompleto.

Volta Seca era afilhado de Lampião, pedia sempre ao professor que lesse para ele as notícias de seu padrinho, era também um fiel ajudante nos assaltos.
Pirulito tinha o chamado de Deus em sua vida. Padre José Pedro, um pobre sacerdote era amigo dos capitães, ensinava-os e foi ele que contribuiu para o fim das relações homossexuais no trapiche. Foi ele também o responsável pela religião de Pirulito, que através dos ensinamentos dos padres buscava uma vida mais correta chegando até a abandonar o roubo.

Boa Vida era um dos moleques do trapiche, era esperto e também participava dos roubos. Por fim João Grande, esse era um negro burro, porém era bom, como diziam os próprios companheiros.
A polícia perseguia os capitães e a maioria da cidade não gostava deles. Mais eles tinham o padre, D. Aninha, uma negra praticante de candomblé; e João de Adão um grevista do cais.

Chegou à praia então a varíola, todos temiam a doença, pois quem a adquirisse devia ser entregue ao governo que os mandava para o lazarento, e tinham como fim a morte. Foi assim que um dos meninos do grupo foi para lá. Tentaram encobrir a doença, mas o médico acabou falando aos governantes e o menino foi para o lazarento e o padre José Pedro castigado.
Foi assim também que a mãe de Dora e Zé Fuinha morreu, eles sozinhos no mundo desceram do morro, ela procurou emprego, mas a doença da mãe lhe destruía as vagas. Assim eles ingressaram no grupo dos capitães, inicialmente os meninos quiseram se relacionar com ela, mas a defesa de Professor, João Grande e Pedro Bala impediram. Logo Dora era a mãezinha e a mana dos meninos. Mas para Pedro Bala ela era a noiva, para Professor também, porém Dora retribuía apenas a Pedro. Ela também ajudava nos roubos, era uma companheira.

Um dia em um assalto alguns dos capitães foram presos, dentre eles Pedro Bala e Dora, mas a ação rápida do líder dos capitães fez com que apenas ele e Dora fossem presos. A menina foi mandada a um orfanato, já Pedro foi torturado pela polícia, mantido em uma solitária por oito dias e depois lançado no reformatório. Porém, os meninos agiam do lado de fora e assim Pedro se fez livre.
Quando foram libertar Dora, ela se encontrava doente. E poucos dias ainda viveu entre os capitães. Mais na noite antes de partir ela e Pedro Bala consumaram o amor dos dois tornando-se esposos.  Depois disso, os capitães seguiram a vida. A juventude já chegava para alguns. Padre José Pedro acabou ganhando sua capela e Pirulito foi embora com ele para trabalhar na Igreja de Cristo. Sem Pernas fugindo da polícia acabou morrendo, mas não deu o prazer aos policiais de o pegarem. Gato foi para Ilhéus junto com Dalva onde vivia da malandragem, depois chegou a voltar a Salvador, mas só de passagem, pois já ia embora com uma negrinha.

Boa Vida parou aos poucos de voltar ao trapiche e vivia em farras, amando a Bahia e tocando modas no seu violão. Professor entrara em contato com um homem que um dia lhe oferecera ajuda depois de ver os seus desenhos, foi para o Rio de Janeiro e se tornou um pintor, retratava as crianças da Bahia. Volta seca foi atrás de seu padrinho Lampião e se tornara um cangaceiro, na sua arma marcava a morte de mais de sessenta homens, no entanto a polícia o prendera e o condenara pela morte comprovada de 35 homens.

Os demais capitães da areia se envolveram com as greves e lutavam a favor do povo. Alberto, um estudante, sempre os visitava e juntos lutavam pelo ideal grevista. Foi assim que Pedro Bala foi embora, a pedido de Alberto partiu pra organizar os Índios Maloqueiros de Aracaju, o posto de líder dos capitães de areia foi entregue a Barandão.
Anos depois Pedro Bala era o ícone da luta do povo e todos pediam por ele.

AMOR DE PERDIÇÃO- CAMILO CASTELO BRANCO

Simão Botelho era filho do desembargador Domingos Botelho, tinha um irmão mais velho, Manuel, com quem tivera algumas desavenças, e irmãs mais novas cuja Rita, a mais nova, era sua preferida. Sua mãe também se chamava Rita e por muitas vezes tinha uma atitude de soberba.

Simão era um jovem que envergonhava a família. Suas amizades eram apenas com aqueles que pertenciam às classes mais pobres e vivia como um desordeiro, batendo e atirando pelos locais que passava. E por tais atitudes desgostava muito a seus pais, eles na verdade nem sentiam pelo filho amor. Porém, passado um tempo Simão mudou totalmente. Não saia mais de casa, suas más amizades se findaram, suas desordens também e passava seus dias em casa junto com Rita, sua irmã. A mudança no comportamento dele tratava-se de um romance. Ele e Teresa Albuquerque, filha de Tadeu Albuquerque, haviam se apaixonado. Porém, as famílias eram inimigas, sendo assim, o romance era proibido, mas o relacionamento dos dois era conhecido apenas por eles.

Simão retornou a Coimbra onde tinha iniciado seus estudos e lá se esforçava ao máximo, pois era no estudo que depositava o seu futuro junto ao de Teresa. Eles mantinham o romance por cartas.

Nessa condição Teresa e Ritinha se tornaram amigas e o amor dos dois foi confidenciado à menina. Porém, na vez em que Domingos pegou Ritinha conversando com Teresa a obrigou a contar suas conversas e assim o romance dos dois foi revelado e instantaneamente repudiado.
Deu-se início à tragédia futura. Tadeu ofereceu a mão da filha em casamento ao primo Baltasar Coutinho. A menina o negou e foi então que começaram as ameaças à Teresa. Casava-se ou não seria mais considerada filha, seria mandada para o convento. A menina se mantinha fiel a Simão. Ele como resposta e enfurecido com as tentativas de Baltasar, voltou a Viseu. Porém, não para a casa de seus pais, instalou-se na casa de um ferrador, João da Cruz.

O homem o hospedou e declarou-se um servo fiel, pois anos antes o pai de Simão o livrara da morte na forca. João da Cruz tinha uma filha, Mariana, essa se empenhou no zelo do hóspede e sentia por ele um amor que jamais seria correspondido, mas ao qual ela era fiel e servil.

Teresa avisada da presença de Simão escreveu a ele para que naquela noite durante o baile de seu aniversário fosse até as portas do quintal para se encontrarem. Foi o que ele fez. Entretanto, o encontro foi impossível, visto que Baltasar presente na festa notou algo diferente e seguiu a menina, o que impediu o encontro. Ele também a ouviu marcar para noite seguinte o reencontro.

Simão voltara na noite seguinte, porém, Baltasar tinha lhe preparado uma armadilha. Mas como João da Cruz já esperava desse artifício foi junto com seu ajudante antes para auxiliar o rapaz. Aconteceu que o encontro se fez, porém na volta João e seu ajudante enfrentaram os empregados de Baltasar e mataram um deles. A esse ponto o outro fugira e Simão tinha um ferimento no ombro e quando o empregado foi encontrado, por piedade de Simão, João o deixara vivo.

Na casa do ferrador o rapaz foi tratado do ferimento sobre o qual ele levemente narrara a Teresa. João e Mariana se dedicavam grandiosamente a satisfazer as necessidades de Simão, e até mesmo do seu dinheiro deram a ele, fingido tal ter sido enviado pela mãe dele.
Com a insistência de Teresa em se negar ao casamento e a obedecer às ordens de seu pai, ela foi levada a um convento. Secretamente consigo levara tinteiro e papel. No entanto, nesse convento onde acreditou que teria uma vida em maior paz encontrou freiras fofoqueiras e maldosas. Nesse tempo, ela e Simão lutavam mais ainda pra manter sua proibida correspondência. Mais tarde Tadeu quis levar a filha a outro convento onde a tia dela era freira. Simão recebeu a carta com a notícia que também afirmava que junto a ela estariam indo suas irmãs, seu pai, Baltasar e as irmãs dele. Essa notícia o enfureceu e escondido de João e Mariana ele foi ao convento de sua amada. E quando Baltasar apareceu, junto a todos os outros, Simão o matou.

Simão, por ser filho do desembargador, facilmente teria escapado da prisão, mas não quis, garantiu-se de ir preso. Sua família mudou-se para Vila Real e ele rejeitou a ajuda que sua mãe lhe ofereceu. Declarou-se sem família. Vivia do socorro de João da Cruz e sua filha. Mariana, que se tornara extremamente submissa a Simão, se dedicava a ele a tal ponto que chegou a entrar em estado de demência. Por esse tempo João prestou ajuda a Simão.

Teresa no novo convento encontrou freiras mais bondosas e verdadeiras. Sua correspondência com Simão ainda era difícil, mas mesmo assim eles a mantinham. Foi então que a condenação à forca foi declarada a ele, por tal notícia Teresa se entregou a morte e viveu como uma moribunda.
No entanto, o pai, Domingos, afirmando que até agora tivera uma vida com honra, não morreria vendo na família uma morte na forca, matava-se. Nessas circunstâncias Domingos agiu e impediu a morte do filho.

Simão foi transferido de prisão, foi levado a uma próxima ao porto e nas suas proximidades estava o convento de Teresa. Tadeu tentou tirá-la de lá, mas a menina não abandonaria o convento e tinha ao seu lado as freiras que não permitiam que ninguém fosse obrigado a sair do convento.
Nesse tempo Mariana voltara à sua sanidade e logo à sua dedicação a Simão. Ele viveu por dois anos e nove meses na prisão. E nesse período João já vivia insatisfeito com a “perda” da filha e antes de qualquer coisa foi assassinado pelo filho do homem que matara. Sendo assim, Mariana vendeu todas as terras que a ela pertencia e viveu a se dedicar a Simão.

A Simão foram oferecidas duas penas, ficar dez anos preso ou viver dez anos no exílio na Índia. A vontade de Teresa era que ele ficasse na cadeia, mas a mocidade e o desejo pelo sol o fizeram optar pelo exílio. E assim fez. Mariana foi com ele. Pelo pai que tinha Simão entrou como homem livre no navio e o capitão o fazia comer com ele, também lhe oferecera ajuda para que na Índia ele desse início a uma vida nova e prometeu socorrer Mariana em tudo que fosse preciso. Porém, do porto Simão assistiu a morte de Teresa e lá recebeu as cartas que ele tinha escrito a ela e uma carta final dela.

Simão adoeceu, tinha febres e delírios, Mariana ficou incumbida de lançar no mar os papéis e as cartas que ele e Teresa havia trocado. Por fim, Simão morreu e Mariana deu nele o primeiro beijo.

Enterravam-se homens no mar, lançando-os no oceano com uma pedra presa aos pés. Não foi diferente que fizeram, e quando Simão foi jogado no mar, Mariana também pulou entregando-se à morte e deixando as cartas dos dois amantes.

A VIUVINHA- JOSÉ DE ALENCAR

Jorge era um moço jovem e rico que após a morte de seu pai teve a fortuna controlada pelo fiel amigo do falecido, Sr. Almeida. Assim que completou dezoito anos pôde ele controlar toda a sua herança, mas seduzido pela vida na corte, desperdiçou muito do seu dinheiro com mulheres, jogos e etc.

Nessas circunstâncias conheceu Carolina, uma moça que vivia apenas com sua mãe, D. Maria, de uma simples família e ali Jorge conheceu sua redenção. O romance que iniciou com a menina o tirou e salvou por completo das loucuras da vida que vivia.

Em cerca de dois meses o casamento foi marcado, e assim na véspera do grande dia o Sr. Almeida esteve com Jorge. Fazia muito gosto do casamento, mas o que trazia ali era para deixar o rapaz a par de que toda sua riqueza havia se dissipado e que hoje o que restava era a miséria e as dívidas que sujavam o nome do seu falecido pai.

Tais novidades deixaram Jorge perplexo e assim ele passou a noite em claro, não pela ansiedade do casamento como ocorrera com Carolina, mas sim pela preocupação de que não poderia abandonar sua jovem noiva e deixá-la falada por um casamento cancelado nem podia casar-se e condená-la à miséria em que ele se encontrava agora.

Finalmente chegou o momento do casamento. Casaram-se, Carolina com extrema alegria e Jorge com a palidez da preocupação. Após o casamento enquanto estavam ali os poucos e íntimos convidados, Jorge afirmou ao Sr. Almeida que tinha a solução.

Carolina esperava por ele no quarto perfeitamente preparado para receber para sempre o casal. Mas Jorge, ainda preocupado, criava coragem de entrar no quarto. Por fim o fez, falou à esposa que seria necessário que ela o perdoasse e ela, firme no amor que tinham um pelo outro, de tudo o perdoou. Jorge então lhe deu um copo com licor e brindaram. Em seguida ela adormeceu e ele saiu pela janela.

Tinha colocado um pouco de ópio na bebida da esposa e assim caminhou para à praia sozinho. Mas a verdade era que um vulto o seguia. O lugar para qual Jorge se adiantava era marcado por inúmeros suicídios, iam ali muitos para encerrarem sua vida. E naquela noite não foi diferente. Sim, Jorge fora até lá para cometer o suicídio, mas um homem acabara de concretizá-lo. O homem que acabara de suicidar-se atirara contra a própria face, tornando-se irreconhecível. Por alguns instantes Jorge tomou coragem para fazer o mesmo e quando estava pronto para acabar com sua vida foi interrompido pelo Sr. Almeida que o seguira.

Ele, ao ouvir do jovem que tinha descoberto uma solução, deduzira que tentaria se matar e assim certificou-se de passar a noite vigiando-o para impedir-lhe de qualquer atitude errada.

Sabiamente ele apresentou uma solução a Jorge. Que ele colocasse naquele cadáver um bilhete de despedida se passando por ele e que assumisse dali para frente uma nova identidade e assim lutasse para limpar o nome do pai e posteriormente renascesse como Jorge e assim com a honra livre.

Jorge aceitou o conselho. Atirou para que o corpo fosse descoberto – já que o finado usara de uma espécie de silenciador – e com a ajuda de Sr. Almeida arrumou um novo documento e embarcou para os EUA, onde adquiriu parte do dinheiro que lhe era necessário. Depois voltou ao Brasil, onde terminou de quitar parte das dívidas, as quais o Sr. Almeida havia se tornado credor.

Durante tudo isso passaram-se cinco anos, nos quais Carolina se prendeu em um luto e na lembrança do marido sem se permitir novos amores. Era conhecida como a viuvinha, e era uma das mais belas damas da sociedade.

Assim nesse último ano ela adquirira um admirador secreto que toda noite lhe deixava uma carta com uma rosa na janela. Desse modo a viuvinha se perdia no novo sentimento que nascia por esse vulto que toda a noite lhe deixava uma carta e também na lembrança de Jorge.

Durantes estas noites eles viram muitas vezes a sombra um do outro. Ela que esperava na janela e ele que se aproximava. Algumas vezes ele lhe dera um beijo na mão e finalmente marcaram um encontro à meia-noite no jardim. Carolina foi vestida de branco, mas seus acessórios eram pretos e assim esperou pelo o admirador crendo que daria fim àquela situação naquela noite, voltando a cultivar apenas o amor à memória de Jorge.

Ele chegou e conversaram, perguntou se ela o amava. Porém Carolina se dividia na lembrança de Jorge. A resposta do cavalheiro foi beijá-la. E assim os dois se direcionaram ao quarto dela. Na manhã seguinte, D. Maria gritou para que a filha viesse tomar o café. E então finalmente ela e Jorge se sentaram à mesa como marido e mulher.